O dia 8 de março e uma certa conivência

Por Renata Corrêa, Biscate Convidada

No dia 8 de março eu gostaria de falar sobre uma palavrinha sobre a qual eu tenho refletido muito: conivência.

O machismo que destrói mulheres e impacta nas vidas delas não é apenas o machismo ativo, do homem que bate, silencia, interrompe, viola, assedia. É também o machismo da conivência.

Os homens tem um privilégio que é muito sutil, que é o privilégio de não se importar com essas violências que impactam as mulheres.

Eles não mandam a piadinha grosseira no whatsapp, mas não reclamam.

Eles vêem o amigo no trabalho roubando ideias, ganhando mais, e não falam nada.

Eles vêem o projeto massa da mulher e não divulgam, porque afinal, aquilo ali não tem a ver com eles.

Eles não entram no grupo de whatsapp da escola do filho para participar da vida escolar, e tudo bem só as mulheres estarem por ali, com toda a carga mental.

Eles sabem do vizinho que agride a companheira, mas “isso é coisa de marido e mulher” e não têm cu de ligar no 190.

Na rodinha do pós-futebol ouvem em silêncio todos os relatos de assédio que os colegas fazem, mas como eles próprios não fazem… pra que se estressar?

Não se posicionam quando rola um debate sobre estupro, assédio e aborto, afinal não é no seu corpo que isso rola.

Tudo que um machista precisa é de um ambiente seguro para se manifestar e que suas crenças sejam reforçadas.

Tá com medinho de perder os amigos? Medinho de ser tachado de mala? A vida das mulheres tem muito de ajustar seus círculos de convívio e afeto para não passar mais por violências.

Nós mulheres não temos a opção de ficar caladinhas. A opção de passar incólumes. Quando a gente silencia é por medo de agressão e sanção social e engole esse sapo emocional que nos corrói. Ou então a gente fala, correndo o risco de ser agredidas, violadas, demitidas, rebaixadas, ridicularizadas, tachadas de chatas, intolerantes, inconvenientes.

Se você, homem, puder fazer alguma coisa para contribuir para a igualdade de gênero, a coisa é essa: não seja conivente com o machismo que você percebe ao seu redor. Mude o clima do ambiente. Divida essa tarefa e essa carga mental, física, espiritual, emocional com as mulheres. Se posicione também. Quem cala consente, sabe? É cúmplice também. Não seja esse cara, para que nós possamos ser as mulheres que podemos e queremos ser.

 renata-corrc3aaa1Renata Corrêa é tijucana, fotógrafa sem câmera, desenhista desistente, roterista praticante e feminista. Já fez livro pela internet, casou pela internet, fez amigos pela internet, compras pela internet, mas agora tá preferindo viver um pouquinho mais offline. Saiba mais dela no seu blog ou no seu tuíter @letrapreta.

Sobre Borboletas nos Olhos

É melhor morrer de vodka do que morrer de tédio, disse Maiakovski. Brindo a isso enquanto acontecem-me coisas surreais. Segue o meu perfil quando me vejo assim: cara a cara comigo mesmo. Ou seja, meio de lado. Um mosaico com rachaduras evidentes. Nostálgica, mas disfarço com o riso fácil. Leio de tudo e com desespero. Escrevo sem vírgulas, pontos ou educação. Dou um boi pra não entrar em uma briga, o resto já se sabe. Considero importantíssimo saber rir de mim mesma. Nem que seja pra me juntar ao grupo. Certa da solidão, fui me acostumando a ser boa companhia. Às vezes faço de conta que sou completa, geralmente com uma taça na mão. Bebo cerveja, bebo vinho e, depois das músicas italianas, bebo sonhos. Holanda, por parte de mãe e de Chico. John Wayne, por parte de pai. Borboleta e Graúna por escolha e história. Tenho uma sacola de viagem permanente no meu juízo e a alma, de tão cigana, não para em palavra nenhuma. Gostaria de escolher meus defeitos, mas não dando certo isso, continuo teimosa. Não sei usar a nova regra ortográfica. Nem a velha, talvez. Amo desvairadamente. E tento comer devagar. Sei lá, pra compensar, talvez. Tem gente que tem a cabeça no mundo da lua. Eu não. Quando vou lá, vou toda. Sou questionadora, mas aceito qualquer resposta. Aspecto físico? Língua afiada e olhos cor de saudade. Gosto de fazer o que eu gosto. No mais, preguiçosa. Sabia o que é culpa, mas esqueci. Nada mais a dizer, prefiro andar de mãos dadas. E dormir acompanhada. Mas, bom, bom mesmo é sal, se você já leu Verissimo.
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