Biscate desde sempre!

#AlmaBiscate
Por Sara Joker

Quando li pela primeira vez o Blog em 2011 quis postar nele, me reconheci em cada texto que lia. Meu primeiro post aqui foi comemorado, divulgado, compartilhado ao exagero. Sou uma Biscate que gosta de mostrar a todo mundo a minha felicidade!

Mas, minha biscatagi vem de muito tempo atrás, quando eu era adolescente. Sempre fui questionadora, mamãe diz que brigava com meus primos pra ter os mesmos direitos que eles. Quantas vezes dava crise com eles só pra poder sair pra paquerar a vontade? E sempre falei no colégio que não existe profissões tipicamente femininas ou masculinas. Não era presa a amores eternos, não sonhava com príncipes encantados (sempre preferi os sapos, eram mais interessantes). Voltando a falar de mamãe, ela dizia que eu me apaixonava a cada semana por um cara diferente, e era verdade! Paixões avassaladoras, como as de novela, mas que só duravam 1 semana, tudo muito intenso, muita dor, muita felicidade, muito riso e muito choro. Passou a semana e, adivinha só? Tinha outro menino (ou menina) na minha cabeça.

Aos 18 anos, época de cursinho, correria, arrumei um “namoradinho” de 15 anos (mamãe sempre me chamou de “papa-anjo”). Como sou Biscate, assumi o papel que a sociedade entrega pro homem da relação. Levava a porta do colégio, ia a casa dele conhecer a família, levava pra sair e, claro, eu que tentava avançar o sinal durante os beijos! Não me lembro o motivo pra terminarmos, mas lembro que sofri exatamente duas semanas! Lembro de ciúme excessivo da minha parte e um equilíbrio excepcional da parte dele.

Nesse momento passei por uma fase de trevas na minha vida Biscate, meu primeiro relacionamento adulto (foi quando eu finalmente amadureci pra me comprometer sem deixar de gostar na semana seguinte). O relacionamento mais traumatizante na minha vida. Quando saí dele, aí me afirmei Biscate adulta! Essa fase de transição entre Biscatagi adolescente e Biscatagi adulta não houve Biscatagi, só sofrimento, conto isso muito bem nesse post aqui. Depois desse relacionamento, nunca mais fui a mesma, revi muitas coisas em minha vida, minha forma de me tratar, de tratar a outra pessoa ao meu lado, de como me impor como indivíduo de vontades. Acho que o que me fez não me impor foi o medo de nunca mais amar. Afinal, demorei tanto pra amar que, quando amei pela primeira vez acreditei que fosse a única vez que amaria na vida. Mal sabia eu que ainda amaria muito depois20121219-234504.jpg disso. Pessoas muito melhores e que compreendiam mais que ele.

O sexo pra mim sempre foi coisa fácil de lidar, sou dessas que não se apaixona quando tem uma noite com um@ amig@ ou uma pessoa que conheço a pouco. Amor e paixão são coisas muito diferentes entre si e do sexo. Fazer sexo sem compromisso nunca foi um problema pra mim desde meu início de vida sexual. Isso assustava os meninos a minha volta, o curioso é que não assustava as mulheres com quem convivi. Me relacionei com poucas mulheres, nunca namorei uma mulher, talvez por ter me apaixonado apenas uma vez por uma mulher e não fui correspondida. Defini que desejo era algo que sentia sempre e nem sempre por uma pessoa que eu poderia admirar, paixão era o que sentia na adolescência, que durava uma semana e amor era algo duradouro, que aparecia vindo de uma amizade com desejo ou de uma paixão que consegui fazer durar mais que uma semana.

Na idade adulta, voltei a minha vida de Biscate, conheci a militância feminista através de uma comunidade de Orkut que militava pela legalização do aborto. Mas, só conheci algumas de minhas colegas de blog graças as minhas andanças pela internet quando militava por meus direitos de bissexual assumida, uma coisa levou a outra e conheci o Blogueiras Feministas em 2010. Como não amar essa vida de Biscate atuante?

Sobre Sara Joker

Artista visual, quadrinista e atriz. Formada em licenciatura e bacharelado em Artes Visuais, pós graduada em Psicanálise. Nerd de humanas, adora RPG, quadrinhos, filmes cabeça, rock e livros. Se interessa por questões relacionadas as lutas pelos direitos das mulheres, negros e LGBTTTs.
Esse post foi publicado em alma biscate, biscatagi, desejos de biscate, memória biscate, um ano Biscate SC, uma biscate quer e marcado , , . Guardar link permanente.

2 respostas para Biscate desde sempre!

  1. ftiagocosta disse:

    Sara, gostei muito de seu post. Engraçado como os processos de biscatagem se diferenciam entre as pessoas. Acredito que me assumi biscate apenas com 24 anos, quando resolvi por minha própria conta e risco ter uma relação sexual com homem. Antes disso, era extremamente tímido e retraído. Mas desse tempo pra cá tenho tirado esse atraso entre sexo casual, paixões e um amor… Enfim, não vou me alongar, pq senão vira outro post! rsrs
    Abraços!

    • Sara Joker disse:

      Olá! Que bom que gostou do post! Somos toda@s diferentes nesse processo, isso que nos faz tão plurais na militância! Assumir a si mesm@ é a melhor coisa que tem, seja a gente como for! 🙂

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