Biscate de berço

#AlmaBiscate
Por Lis Lemos

Era mais ou menos assim que eu queria ser

Era mais ou menos assim que eu queria ser

“Menina não senta de perna aberta” “Menina não brinca de carrinho” “Você tem que se casar virgem” “Se você continuar assim nunca vai arrumar alguém que te queira” “Você pergunta demais, a vida é assim e pronto”.

Talvez eu sempre tenha sabido que nunca fui “moça pra casar”. Aliás, sempre achei meio tacanho essa história de separar as mulheres entre as boas e as más.

Talvez porque a minha linhagem seja de mulheres ditas perdidas, que se esforçaram pouco pra entrar na caixinha que lhe empurraram. Começou na minha bisavó (que até onde sei teve três maridos oficiais) e torço que não pare em mim. Talvez porque minha mãe não tinha marido e nem o meu avô era o marido da minha avó.

Talvez porque uma das imagens que eu guardo na lembrança é de uma propaganda do Domus (jabá, estamos aqui) em que aparecia uma mulher linda, sensual, num vestido vermelho jogando sinuca. Não lembro direito da propaganda, mas eu queria ser igual àquela mulher quando crescesse. (não, eu não achei esse vídeo). Ou talvez porque eu adorasse “Elvira, a Rainha das Trevas”, e queria maquiagem, roupa, e peitos iguais ao dela.

Daí que há um ano eu descobri o Biscate Social Clube e ele foi entrando bem devagarinho (ui, ui) na minha vida. Eu lia quase todos os dias e percebia que esse era (é) o lugar, o blog, o clube que mais bem me representava e onde eu me sentia acolhida. Toda vez que eu lia um texto pensava: “era isso o que eu queria dizer”. Mas, ao mesmo tempo em que adorava aquelas palavras todas, pensava de novo: “ah, eu não teria coragem nunca pra dizer das minhas biscatices por aí”. (Sou tímida e espalhafatosa)

E num lampejo, mandei um texto pra Luciana pra ela ler e ver se rolava de ser publicado aqui. Biscate é assim: se oferece toda! Talvez esse tenha sido meu primeiro ato biscate-consciente: quis me mostrar, me jogar e aceitar tudo o que viesse depois disso. E a Lu-bidinosa fez a proposta mais indecente que eu podia imaginar: “vem biscatear mais nóis!” E eu fui, cá estou. Desavergonhadamente feliz.

Cada post que escrevo e que leio aqui ajudam a forjar essa mulher-feminista-biscate que sou e que vou me tornando e da qual gosto cada dia mais. Que me dá mais prazer, mais alegria, mais tesão, mais força. Nessa troca toda aprendo mais sobre mim e sobre liberdade – palavra cara e apreciada por todxs do clube.

Sempre fui biscate, ainda que só conhecesse o lado pejorativo dessa palavra. E, como eu acredito na “dialética interna do signo” (Oi, Bakhtin) sei que é possível fazer de biscate algo do que se orgulhar. E eu tenho um orgulho despudorado de ser Biscate e de estar no Biscate Social Clube.

Esse post foi publicado em alma biscate, biscatagi especial, um ano Biscate SC e marcado , , , , , , , . Guardar link permanente.

6 respostas para Biscate de berço

  1. Ai, tô adorando descobrir as histórias dessas almas biscates…. beijo, Lis! Até a próxima biscatagem! E ó, quando você vir meu texto amanhã, saiba: o nome já tava dado! Ri quando vi o seu…🙂

  2. renatalima91 disse:

    “Cada post que escrevo e que leio aqui ajudam a forjar essa mulher-feminista-biscate que sou e que vou me tornando e da qual gosto cada dia mais. Que me dá mais prazer, mais alegria, mais tesão, mais força. Nessa troca toda aprendo mais sobre mim e sobre liberdade – palavra cara e apreciada por todxs do clube.”

    Lis, amei!

  3. Um viva a nós biscates!

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