Inventário de uma alma rebelde

#Alma Biscate
Por Niara de Oliveira

recorte d'eu, pela lente generosa de um amigo

recorte d’eu, pela lente generosa de um amigo

Por ter colocado o Biscate SC no ar há um ano, poderia, ao escrever sobre minha alma biscate, fazer uma espécie de inventário ou histórico do blog. Cometeria uma indelicadeza ímpar com a Lu e com todxs xs biscas que ajudam a manter essa bagaça diariamente. Mas, não só por isso. Não quero fazer inventário. Pelo menos não do blog. Quero falar de como me sinto quando sento ao computador para escrever aqui. Vou tentar, então, fazer inventário da minha alma biscate, de como sou neste espaço.

Começo dizendo que fiquei toda comovida quando xs biscas escreventes do BSC, ao escolherem um texto de outrx bisca numa espécie de mandala ou amigo-bisca-secreto, escolheram cada um/a um texto meu. Gostei de todos os textos que escrevi aqui, principalmente os que são misturas doidas, confissões e que falam de cinema. Mas apenas o Fernando, bisca convidadx, citou um dos meus queridinhos — estrelinha pra ele! Mas, não vou fazer apenas uma colcha de retalhos citando os posts. Vou justificar a motivação para escrevê-los, porque acho que é aqui que está a minha alma biscate, na motivação, no que empolga, move.

Tiveram textos movidos pela raiva e pela indignação, que foram os mais fáceis de escrever. É como se o que faz a cabeça esquentar e o sangue ferver escorresse pelas veias até a ponta dos dedos. O texto simplesmente flui. Sempre fui adepta das discurseiras, do dedo em riste, do peito estufado de razão. Foi-se a época em que subia no banco para me fazer ouvir melhor, e hoje me restam apenas as redes sociais e os blogues. Rá!

Os textos movidos pela admiração e prazer são os que envolvem, adivinhem..? Po-lí-ti-ca! É fácil escrever sobre política, embora eu fique cheia de #mimimi se vou cometer algum deslize (e eu sempre os cometo). Porque política é isso, erro e acerto, na mesma medida. Nem sempre um, nem sempre o outro, é aprendizado, negociação, mediação e, principalmente, construção. Não existem verdades a serem ditas, mas debate a ser feito (não esqueça de ler os comentários). E como eu gosto disso tudo! Me deleito e me lambuzo toda, como na humilde homenagem a minha musa biscate Pagu, que deu trabalho mas deu muito prazer também.

E quando misturei política com biscatagi não foi nada, porque teve texto que escrevi pura e simplesmente para biscatear. Usei mesmo o espaço para mandar recados, e eles foram recebidos (teve até comentário para comprovar)… Mas, claro que esses eu não vou linkar, até porque estão misturados com as tantas receitas que postei, e das receitas a minha preferida é uma que mistura comida com indignação e o debate sobre valores construídos, e porque além de fazer a receita beuba, eu escrevi o texto beuba, e embriagada estava no encontro lindo com a Lu e na primeira reunião da gerência da biscatagi e naqueles dias de outono em que tudo foi celebração. Teve celebração em outros encontros com a biscatagi escrevente e com a biscatagi da vida, e que tinha até cantada (brega, claro) e que não teve um comentariozinho sequer… #chatiada

Teve texto sobre moda misturado com receita, texto sobre política misturada com gramática, texto sobre outras lutas, paixão pelo futebol, teve receita safada e até gramática biscate…Tiveram os textos escritos a quatro mãos em parceria com a Lu. Três deles foram especiais: Estupro não é sexo (biscatagi séria, porque a violência de gênero é ampla e democrática e é preciso combatê-la SEMPRE), Pingos nos Is, ou o que é ser biscate (serviu para comemorar nosso primeiro mesversário), e o post mais divertido ever de escrever… “Você escolheu errado o seu super-herói” (basta ler para ouvir nossas gargalhadas). Teve texto dolorido também. Em que o debate não foi exatamente fraterno e eu me senti muito sozinha e foi difícil não responder na medida em que sentia atacada. C’est la vie!..

Teve coisa à beça. E sinto que ainda falta muito. Muito do meu ser biscate, das gargalhadas que dou ou da raiva que passo enquanto estou escrevendo e que não consigo colocar em letrinhas no texto, das minhas lutas e indignações tantas… Ainda terá muito de mim por aqui.

Estou/tamos apenas começando.😛

e se alma biscate tivesse música, essa seria a partitura...

e se alma biscate tivesse música, essa seria a partitura…

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EM TEMPO: Aproveitando… Vou escolher agora os textos dxs outros biscates escreventes que mais gostei, um de cada.

Luciana — Não Tem Graça (não tem mesmo, e a Lu desenhou direitinho)

Renata Lima — Biscate Absoluta (para jogar no chão os preconceitos todos)

Cláudia Gavenas — De você para você mesma (porque perde-se o pudor a partir de si)

Silvia Badim — Yes, nós temos barriga! (aceitação é tudo para auto-estima)

Renata Lins — O monstro de olhos verdes (aceitar as contradições é o primeiro passo)

Augusto Mozzein — Antibiscatista (sobre recalques… nossa antítese?)

Raquel Stanick — Tá combinado! (dose homeopática de noção)

Lis Lemos — A escolha de Ana (pingo no i)

Bete Davis — As regrinhas ou você não é o síndico (dose cavalar de noção)

Sara Joker — Só fico com quem eu quero! (uma tonelada de noção)

E repito o trecho que escrevi sobre o texto preferido de biscate convidadx, que serviu como homenagem e agradecimento pela belíssima participação de todxs… Porque amo de verdade esse post e ele é o meu preferido entre todos os textos do BSC:

Nesse um ano de BiscateSC foram muitos os textos que gostei de ler e escrever. O BiscateSC pra mim, para além do trabalho que dá co-gerenciá-lo, é só prazer. Entre os textos dxs biscates convidadxs, dentre os quais tenho que escolher APENAS UM, também foram muitos que se encaixaram na série “os textos que gostaria de ter escrito”. Mas teve um em especial que me ganhou desde o primeiro parágrafo. Quando o terminei de ler, sabia que ficaria para sempre entre os meus favoritos. Não só porque traduz o BiscateSC — o que somos e queremos e o que não somos e o que não queremos –, mas porque aponta para o surgimento da opressão e do machismo nas nossas vidas. Mais do que isso, ele é uma ode à rebelião contra a opressão, de forma prática, concreta. Quer saber como ser uma Mocinha de Valor? Ou melhor, quer saber como NÃO SER uma Mocinha de Valor? A linda da Renata Corrêa ensina de forma clara, direta e objetiva.

Amo vocês tudo, biscas! ♥

Sobre Niara de Oliveira

Ardida como pimenta com limão! Jornalista marginal, chaaaaaaata, comunista, libertária, biscate feminista, amante do cinema, "meio intelectual meio de esquerda", xavante, mãe do Calvin, gaúcha de Satolep, avulsa no mundo.
Esse post foi publicado em alma biscate, biscatagi especial, memória biscate, um ano Biscate SC e marcado , , , , , . Guardar link permanente.

10 respostas para Inventário de uma alma rebelde

  1. Clara Gurgel disse:

    Parabéns Niara, Lu e a todas as outras Biscates que escrevem, lêem, divulgam ou dão (ui) uma passadinha quando a porta desse Clube tá arreganhada. Infelizmente, graças à Vivo, fiquei uma semana desplugada e perdi a festa. Mas, como um ano é pouco e eu quero mais, muito mais, que venha um novo ano inteirinho de Biscatagem prá todas nós. Beijos!

  2. lindo inventário, Ni. bjs pra vc

  3. Alessandra disse:

    Passei por aqui e gostei do teu post. Beijos!

  4. O texto tá lindo, Ni. Lágrimas nos olhos aqui. Pelo tanto de você que dá pra ver nesse texto, generosa, briguenta, doce, dolorida, apimentada, cheia de gargalhadas sempre, como piruetas que a vida faz a gente dar.
    O texto meu que você escolheu “de presente” pra gente é dos que eu mais gosto, e acho que nem é (acho!) porque tem uma foto do lindo do Kenneth Branagh como Iago pra ilustrar…
    E eu aqui agradeço a você pelo carinho, pelo espaço criado, onde nossas almas biscates se expandem , se encontram, se descobrem.
    Viva o Biscate de um ano!
    Beijo muito grande.
    Renata.

    • Uma das maiores alegrias que tive foi tu teres te incorporado ao Biscate SC nesse trajeto.
      Me sinto honrada. E honra de biscate é cousa muito séria.😛
      Beijo imenso pra ti também, Renata.

  5. Pimenta com limão faz chorar… e não é de ardor. Beijo, dina!

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