Não posso ficar nem mais um minuto

Gosto dos homens. Eles me divertem e espero mesmo que eles também se divirtam comigo, porque de outro jeito que graça tem, não é?

Mas enfim, neste mundo tão louquinho, bichinho, escolher ser livre faz você ter um olhar digamos, um pouco mais crítico e irônico, mesmo não querendo recorrer a generalizações, acerca de certos comportamentos quase que padronizados entre os homens, esse gênero que anda tão confuso, assim como nós, em como se comportar num mundo onde se destroem discursos com a rapidez de um clique e em que novos relacionamentos são oficializados e comemorados pelo facebook.

Então, nesse emaranhado de tantas histórias e novas formas de se relacionar, você se depara com esse cara: o homem Jaçanã. Ele é meio fora de moda, mas você é uma vadia e como tal curte um samba e tal e coisa e coisa e tal, além do lance vintage do “eu não tô fazendo nada nem você também”.

Pronto. Danou-se.

Vá em frente, o homem Jaçanã desperta a mesma emoção que sentimos com discos de vinil, vá por mim, eu te entendo. Só que amiga, não se iluda e Freud já nos contou faz tempo. Ele não pode perder esse trem que sai agora as onze horas, porque senão só amanhã de manhã.

trem

E óbvio, quem vai amanhecer ao lado de alguém que não se pode “levar a sério”? O homem Jaçanã é que não.

O homem Jaçanã é fruto de uma cultura que diz que sexo e sexo, compromisso é compromisso e que não se pode enxergar mais nada além destes extremos. E o sono dos homens justos é sagrado, mulher! Além disso, tem outra coisa… a mãe não dorme enquanto ele não chegar, e ai de você, biscate na vida… como lutar contra essa entidade que pariu seu “sonho de consumo”, um macho para chamar de seu? Pois é, eu que faz tempo morro é de rir, sugiro que você diga a ele como chegar na estação do tal trem ou sugira fazer uma papinha pro tal cara antes dele se mandar.

São apenas sugestões, óbvio, cada mulher tem seu jeito de lidar com esse tipo de cara. Mas entenda o óbvio. Não é culpa sua. Não foi a sua calcinha, nem o jeito que você fez gemeu, nem mesmo porque ele se assustou com você.

O homem Jaçanã não quer uma mulher, ele quer um arquétipo. Então conselho de amiga, não fique se perguntando se fez algo de errado ou como “segurá-lo” em sua cama até o amanhecer “da próxima vez”. Pergunte-se, isso sim, se você quer uma próxima vez com um cara que prefere beber com os amigos (sério que você caiu nessa história de mãe?) a ficar transando com você.

Ou, ainda pior, um cara que não teve sequer vontade de te chamar para acompanhá-lo na cachaça. Isso é imperdoável, carxs amigxs, acreditem em mim. Não tem relativismo nem meditação que me faça perdoar e transcender um troço desses.

Ah… o homem Jaçanã é das antigas, lembre disso, e como tal ele não vai sair sem antes um “eu te ligo” de brinde.

Vá (novamente) por mim (ou não)… nessas horas seguem mais dicas: diga educadamente não, por favor, obrigado ou seja grossa e diga ligue não, fofolete ou apenas gargalhe. Alto. Pois é baby, se divirta, você e ele merecem. Todos nós merecemos.

Inclusive nos divertir com afeto, porque é isso que o homem Jaçanã não entende, que entre uma coisa e outra, entre tempo e espaço, entre aqui e agora, a ponte é o afeto. Em qualquer posição.

E quando falo de homem, falo de você também mulher, de mim. Que tem que ir embora porque não pode mostrar vontade de ficar, porque no jogo de caça e caçador quem é mais insistente em não se entregar ganha. Triste assim.

Vivemos num mundo em que o melhor é sempre o adiante, o dia seguinte, a próxima etapa: rolo, namoro, noivado, casamento, filhos (ufa! ufa! ufa!). Então porque se “desgastar” demonstrando carinho, olheiras, cara amassada, você em verdade e luz do sol com quem não dá nem para pensar em sugerir um “relacionamento sério” nas redes sociais?

Então, lembrando que pelo menos o homem Jaçanã reconhece que tem sua própria casa (ui, Freud, beijo e me liga!)… é assim…

“Quais, quais, quais, quais, quais, quais,
Quaiscalingudum
Quaiscalingudum
Quaiscalingudum”

Sobre Raquel Stanick

Raquel Stanick, de acordo com ela mesma, não é, mas está, artista visual, entre mil outras e tantas coisas (inclusive quase sempre apaixonada) lá pras bandas da Paraíba. Delicada, arruaceira, mocinha do bem, mulher da noite, poeta do amor fácil e da vida difícil (e outras tantas vezes o inverso) escreve desde não se lembra bem e quando.
Esse post foi publicado em memória biscate, uma biscate quer e marcado , , , . Guardar link permanente.

6 respostas para Não posso ficar nem mais um minuto

  1. Rá rá rá. Genial, genial…….

  2. Ane Brasil disse:

    Brigado pro ter traduzido a minha bronca com o maldito trem das 11!

  3. Leticia disse:

    Brigada por ter traduzido a minha bronca com a “cultura que diz que sexo e sexo, compromisso é compromisso e que não se pode enxergar mais nada além destes extremos”!

  4. raquelstanick disse:

    que bom que vc gostou, Leticia!

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