Post de sábado quente

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Sábado. Sol. Quente. Aqui tá mais fresquinho. Pela janela vejo a pedra, vejo o verde. Vejo azul o céu.

Post no Biscate: hoje é meu dia. Calor. Preguiça. Saco de gelo na nuca. TV-abobrinha. É meu dia: e isso pega, isso gruda nas idéias, isso atrapalha o fresquinho do saco de gelo na nuca.

Deixar pra lá: não sei fazer. Penso no que a Déborah me disse-que-o-analista-dela-disse- pra-ela mas podia ter sido pra mim: você nunca deixa pra lá e considera feito? Ele disse pra ela e ela me disse. A mim. E ele podia bem ter dito a mim, porque é mesmo a minha cara. Uma lista de não-feitos. De pendências quase caindo do pé. Mas permanecendo. Incomodando. Impedindo o balanço da rede, o dengo do sábado, o relaxar no calor.

Mas é assim: a gente ouve. Parece que nem deu atenção. Muda de assunto. E mesmo assim aquilo fica lá, ecoando. Esse ficou. Minha imagem é de fios desamarrados: na minha cabeça tem um monte deles. Pendências pendendo penduradas. São fios pretos, não que eu jamais tenha pensado nisso ou escolhido sua cor. Mas vejo-os: são pretos. Num varal. Desamarrados.

E aí, como uma nova porta, um novo horizonte desconhecido, a idéia nunca dantes navegada, quase revolucionária: e se eu deixasse pra lá? E se eu simplesmente aceitasse que alguns não? Que na verdade nunca, que talvez nem deveriam ter sido? Que nem estão mais lá, se eu olhar com honestidade?

Não sei ainda. Tá calor. Dá preguiça. E tem que definir. Tem que decidir que fios. Os que ficam, os que vão. É também um tipo de comodismo, esse não-escolher: um faz-de-conta à maneira da Emília. Faz de conta que estão todos ali ainda. E que um dia eu vou fazer. Vou amarrá-los um a um, bonitinhos, com laço e tudo. Vou completar. Vou fechar um ciclo.

E no “não sei” nada acontece. É necessário coragem pra deixar ir. Desapego. Até dos desafios, até dos problemas. Desistir: também uma sabedoria.

Aprender a desistir: um novo caminho. Novo fio?

Enquanto isso, a rede. O azul. O calor. A janela. A pedra.
O post.

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Sobre Renata Lins

Forasteira. Gosto dessa, com seus subtons de filme de caubói. Forasteira, olhando sempre pro mundo de viés. Tímida e espalhafatosa, apesar de não ser o Caetano. Mulher - e cada vez mais.
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8 respostas para Post de sábado quente

  1. Anônimo disse:

    Sábado quente, a chuva que caiu em Contagem só serviu para abafar mais.
    Mil pontas soltas, pela vida.
    Mas a arte de desistir, ou ao menos, saber como insistir, ainda não dominei.
    Preciso daquela oração, não sei se é mesmo oração, mas um mantra, quem sabe:
    “Coragem para mudar o que posso,
    Paciência para lidar com o que não posso mudar.
    Sabedoria para distinguir umas das outras….”
    Ou algo que o valha.
    Vai um choppinho ai?
    Beijos, xará!

    • ô…. vai muito um chopinho… ajuda muito a amarrar pontas…!🙂
      A oração/mantra é fundamental. Preciso todo dia.
      Ainda não aprendi, por mais que já tenha repetido.
      Continuo tentando… nem que seja em post…
      Beijo!

  2. Enquanto isso, a rede…? Dá vontade de arrumar casa com uma, mesmo. Uma boa cerveja embalada no balanço.

  3. bete davis disse:

    ai desapego. tento sempre fazer . mas tão fofa esas rede com essa unhas escuras e esses pés bonitos rs

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