É Divertido, Gente!

A vida é curtição, dizemos lá em casa. Poder dizê-lo é poder viver. Aprendi cedo que o riso me faz bem. Para além, que o riso me faz mais eu, mais próxima da eu que anseio, todo dia, ser um pouco mais. A vida é curtição e posso tomar banho de chuva na frente de casa. A vida é curtição e posso dançar na rua, usar chapéu, gargalhar alto, viver sem fazer poupança, beber cerveja antes das nove da manhã. A vida é curtição, declaro os amores sem medo de ter corações partidos. A vida é curtição, recebo as pessoas na casa, na vida, na alma, entendendo que amizade é festa de encontros. A vida é curtição, cada dia por ele mesmo. A vida é curtição, os pequenos prazeres. A vida é curtição, o ridículo escuta e se esquece de ser. Não ter medo a não ser do que pode me fazer mal (um leão, um prego enferrujado, o Silas Malafaia)… o ridículo não pode me fazer mal. E poder dar risada de mim mesma quando passar do meu próprio limite.

A vida é curtição. O sexo é curtição. É claro que há horas de devastação. Há sexo selvagem. Há sexo sereno. Há aquele sexo onde se mergulha um no olho do outro e mal se respira e o que os corpos fazem é só metáfora do gozo além. Há o sexo solene, quase ritual. Mas, para o dia a dia, para o passe o sal, para a rotina, pouca coisa é tão curtição como uma boa risada na cama. Cumplicidade. Rir de mim mesma, rir do outro, rir com o outro. Aceitar o bom, eu digo. Curtição.

Estou escrevendo isso e lembrando do Rhett Butler na metafórica linguagem cinematográfica dos anos 30: você já pensou em casar só pela diversão? E a minha querida Scarlett (meu alter ego), ainda desconhecendo o bom da festa: diversão é só para homens! Eu queria poder segurar a mão dela e dizer: nopes, baby, a diversão do sexo, no sexo, pelo sexo, é riso pra todos.

A curtição pode estar no que a gente conhece bem. Ou no absurdamente inusitado. Estava eu pensando em sexo, inusitado, diversão, riso, biscatagem e, zás, o inesperado, o riso, a cur-ti-ção. Não podia deixar de partilhar as imagens a seguir no nosso clube:

Gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões

Moça, se toque…

Fazendo Uma Boquinha

Quer Uma Mãozinha?

Dá Um Beijinho Que Passa…

Um Dedo de Prosa

E a vida é ainda mais divertida com trilha sonora, não concordam?

PS. As divertidas e instrutivas imagens são do artista Wim Delvoye e você pode conferir mais do provocante e variado trabalho dele aqui.

Sobre Borboletas nos Olhos

É melhor morrer de vodka do que morrer de tédio, disse Maiakovski. Brindo a isso enquanto acontecem-me coisas surreais. Segue o meu perfil quando me vejo assim: cara a cara comigo mesmo. Ou seja, meio de lado. Um mosaico com rachaduras evidentes. Nostálgica, mas disfarço com o riso fácil. Leio de tudo e com desespero. Escrevo sem vírgulas, pontos ou educação. Dou um boi pra não entrar em uma briga, o resto já se sabe. Considero importantíssimo saber rir de mim mesma. Nem que seja pra me juntar ao grupo. Certa da solidão, fui me acostumando a ser boa companhia. Às vezes faço de conta que sou completa, geralmente com uma taça na mão. Bebo cerveja, bebo vinho e, depois das músicas italianas, bebo sonhos. Holanda, por parte de mãe e de Chico. John Wayne, por parte de pai. Borboleta e Graúna por escolha e história. Tenho uma sacola de viagem permanente no meu juízo e a alma, de tão cigana, não para em palavra nenhuma. Gostaria de escolher meus defeitos, mas não dando certo isso, continuo teimosa. Não sei usar a nova regra ortográfica. Nem a velha, talvez. Amo desvairadamente. E tento comer devagar. Sei lá, pra compensar, talvez. Tem gente que tem a cabeça no mundo da lua. Eu não. Quando vou lá, vou toda. Sou questionadora, mas aceito qualquer resposta. Aspecto físico? Língua afiada e olhos cor de saudade. Gosto de fazer o que eu gosto. No mais, preguiçosa. Sabia o que é culpa, mas esqueci. Nada mais a dizer, prefiro andar de mãos dadas. E dormir acompanhada. Mas, bom, bom mesmo é sal, se você já leu Verissimo.
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2 respostas para É Divertido, Gente!

  1. Silvia Badim disse:

    ô coisa boa de se ler Lú! viva, viva, viva, a vida!

  2. 1° coment: hahahahaha….
    (pausa pra respirar)
    2° coment: eu não. Eu não nasci rindo. Eu era, antes dos sete, séria: basta ver as fotos. Sorrisos? Há, mas não me definiam. Muitos adultos se incomodavam com a seriedade do meu olhar: não fica bem numa criança ser séria.
    Depois virei irônica – uma primeira aproximação mais ácida – e, na adolescência, contestatária.
    O riso solto só veio depois, e foi aprendido. Ou conquistado. Hoje é minha praia, tão minha praia que nem parece. Mas eu sei. E, ocasionalmente, lembro.

    Beijos. Um texto que na verdade é sério, né? Ou melhor: é grave. É importante. Riso e sexo: de base.

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