Consciência!

Hoje é inevitável falar, refletir e pensar sobre consciência. Dia da consciência negra. Dia colorido de comemorar a possibilidade de um mundo mais humano, justo, progressista, respeitoso, diverso – lindamente diverso. Um mundo feito de olhos brilhantes de várias realidades, religiosidades, amores, sexualidades, cores, etnias, credos, gostos, sabores. Dia de sonhar gostoso aquele sonho de John Lennon e de tantos hippies: Give peace a chance. Dia de acreditar que todo dia pode ser dia de consciência. Que o amor pode tomar o mundo e fazer com que certas pessoas se libertem da raiva e da fúria contra o diferente. Give love a chance. Dia de buscar o respeito por cada peculiaridade, de ganhar forças para transitar pelo cotidiano com a verdade de ser quem se é. Give a chance to freedom.

Porque é preciso força. E coragem.

Semana passada pela primeira vez eu senti medo. Eu, que tanto ando e milito pelo feminismo, pela igualdade, pela liberdade de amor, pela liberdade de viver o próprio corpo, eu que vivo assim, de acordo com as minhas crenças, vivo praticando o que penso, sem pudores, eu senti medo. Senti medo ao ser abordada por um homem que não aceitava ver o amor entre iguais. Que tremia diante da possibilidade de viver sem rédeas e sem amarras morais. Que experimentava uma sensação desconhecida de ser livre. Senti medo do seu ódio, que no fundo eu podia ver que vinha do seu próprio medo. Ele não entendia, não tolerava, tinha medo do que escondia dentro de si, sem nunca ver a luz do dia. O homem tinha olhos duros, e a nossa felicidade ofuscava sua visão.

Sim, eu senti medo. Medo pela promessa de violência: “esperem para serem abordadas no carro”. Medo da intolerância. Medo de até onde a ignorância pode violentar o amor. Medo de agressão física. Sim, eu tão forte e tão militante, senti medo. Até porque sempre soube porque eu milito. Porque a violência existe aí fora galopante, homofóbica, machista, nojenta. Capaz de coisas atrozes. Capaz de matar. Capaz de estuprar. Capaz de causar cegueira e deixar marcar irreversíveis.  Eu que sempre soube, agora eu sinto em cada poro aberto do meu corpo.

Nesse dia de consciência eu me nutro da possibilidade de um mundo melhor. Eu me nutro para continuar lutando e vivendo a minha liberdade. Para continuar sendo eu mesma. Para continuar transitando pelo mundo sem medo de ser quem eu sou, sem medo de amar livremente, sem medo de desejar, sem medo de ser biscate.

Consciência!

 

Sobre Silvia Badim

faltam palavras objetivas para definições. eu sou. o que mesmo? professora, militante, biscate, mãe, escritora, amante, livre de rótulos. e o que mais? muito mais. sou muitas. socorro-me do que já disseram, e repito: "eu não quero andar na fossa cultivando tradição embalsamada. meu sangue é de gasolina correndo, não tenho mágoa. meu peito é de sal de fruta fervendo no copo d´água".
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Uma resposta para Consciência!

  1. lislemos disse:

    Sílvia, parabéns pelo texto. Também senti medo com a morte de Lucas. Mas isso nos dá força para continuar na luta e desejar que nunca mais sintamos medo de amar. Give love a chance

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