Dilema

Este é um post não assinado. É um depoimento. Um desabafo. Foi escrito por uma biscate que preferiu ficar anônima e, pelo texto, vocês vão entender porquê.  Ela é leitora do blog e, sabemos, adoraria conhecer as impressões de vocês. 

Vou contar uma historinha para você, cara amiga biscate: vivo um relacionamento monogâmico há muitos anos, para dar uma ideia de tempo, saiba que poderia ter um filho de quinze anos. Faz tempo. Muito tempo. Há uns cinco anos que minha vida sexual encontra-se monótona. Veja bem, é gostoso, é delicioso transar com meu marido. O problema é que não tem novidade. Vivemos naquele momento de pasmaceira total, de falta de inovação. é bom, mas já sei como é.

Sinto muito desejo, adoro transar, adoro me sentir desejada. Adoro o olhar do outro no meu corpo. Sentir o fogo do olhar mesmo sem ver, sabe como? Aquele arrepio na nuca só da pessoa passar do seu lado, de, por acaso, você aspirar o ar que ela expirou. Sou uma mulher que adora surpresas, gosto do inusitado, do diferente, daquilo que ainda não conheço. Quer me deixar feliz me leve para comer uma comida com nome esquisito que nunca ouvi falar. Garanto que não haverá pessoa mais feliz na mesa em experimentar algo novo. Pois é, imagino que neste momento já tenha uma leve desconfiança do meu dilema.

Uma pessoa muito próxima de mim tem voltado seus interesses carnais sobre mim. Não tenho a menor intenção de trair (termo pesado, eu sei) meu marido, principalmente com essa pessoa que tem tanto desejo por mim. Sou resolvida o suficiente para saber que seria um momento muito bom, memorável até. Mas só um momento. Muitas coisas estão em jogo quando vivemos num relacionamento como o que eu vivo.

Vivo um amor que me traz muitas coisas boas, com uma pessoa que admiro muitíssimo. Tenho uma vida boa. Não quero abrir mão do que tenho. Gosto do conforto do que me é conhecido, apesar de adorar provar novos sabores, gosto de saber exatamente o sabor que vou sentir ao morder aquele pedaço de carne.

O que fazer com o desejo do diferente? Sufoco meu desejo? É o que tenho feito constantemente, a custa de muito sofrimento meu. Vivo na angústia de não saber o que quero. Quer dizer, preciso ser sincera ao menos aqui, quero tudo. Quero mais. Sempre.

Mais uma dose? É claro que eu to a fim, a noite nunca tem fim, por que que a gente é assim?”

O problema é que tenho medo, penso se sou covarde ao tentar preservar um relacionamento que me faz feliz. Penso nas consequências, penso no sofrimento, meu e dos outros e vivo assim, na angústia de saber que poderia (gostaria?) ser mais, sem conseguir. Por que que eu sou assim?

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"se acaso me quiseres, sou dessas mulheres que só dizem sim..."
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11 respostas para Dilema

  1. erika disse:

    eu não sou de resistir a tentações. já fui casada, relacionamento monogâmico mesmo e sempre disse não e não, aí um dia a relação acabou e ficou aquele gosto de ” eu deveria ter vivido mais”. hoje percebo que a melhor e mais amável relação que podemos ter é com a gente mesmo. eu me entregaria a essa experiência como se fosse única. e voltaria pra casa satisfeita comigo mesma. isso pode abrir novas perspectivas na sua relação e até na sua vida. bjoseentrega!

  2. Belle D´Jour disse:

    Estou vivendo um dilema parecido…A diferença é que sou casada há menos tempo que vc e tenho dois filhos deste casamento. Como vc, também nunca me passou pela cabeça algo assim. Por outro lado, sei muito bem como sou intimamente, como são essas tentações e fico em dúvida se o ser humano nasceu mesmo para viver uma “vida morna”. Porque é isso que o casamento é na grande maioria das vezes: amamos a pessoa, queremos estar junto dela, o sexo é bom, algumas vezes selvagem… Mas… fica faltando aquela emoção de quando conhecemos uma pessoa interessante pela primeira vez, as conversas, risadas soltas, a vontade de estar junto e saber mais do outro, descobri-lo e ser descoberta, as borboletas no estomago, as primeiras indiretas, elogios, declarações, a expectativa de revê-lo, e depois os primeiros beijos e amassos e a transa, possivelmente quente e louca…
    Não tenho uma resposta “correta” para vc, querida; estamos no mesmo barco. Como vc, em minha imaginação já cedi milhares de vezes e recusei outras ás investidas da figura; já imaginei uma vida “mais emocionante” correndo estes riscos e também já imaginei colocando tudo o que mais tenho de precioso na vida a perder (como meus filhos). Mas nada foi decidido concretamente. Só posso lhe dar minha solidariedade e apoio a vc e te dizer que embora este assunto seja muito tabu (sobretudo quando se trata de mulheres e relações heterossexuais), acredito que milhares de pessoas neste momento estão vivendo as mesmas dívidas e anseios que vc. beijo grande.

  3. Andre Telles disse:

    Dilema André Telles

    Somos volúveis! Desde criancinhas. Sabe aquela coisa do brinquedo que não esta na sua mão, ou esta na mão da outra criança é que é o que vc quer? Pessoalmente acredito que existam os insatisfeitos com o que tem e querem sempre aquilo que não possuem e tem o outro grupo que apenas deseja algo diferente, mas que não sofre caso não consigam, (particularmente prefiro o segundo grupo). E existem os acomodados, felizes ou não, não são uma questão para mim. Mas voltando ao que interessa…Bem…não dá para querer tudo, quer dizer…até dá para querer, mas conseguir é impossível…Se você esta em Paris, feliz, mas já pensando em Londres, sinceramente… é um puta boicote com o próprio desejo e a felicidade. Curta Paris, e se der para curtir Londres, curta quando conseguir ir pra lá. Curta o feijão com a arroz da vida e o prato diferente quando ele acontecer e mesmo quando isso acontecer, pense se o prato diferente não lhe fará mal. Querer tudo é infantil e egoista!!

    Mas aliviando a barra…nas coisas de sexo o que rola é um pacto pessoal/moral/social que não leva em consideração o desejo, características e oportunidades que encontraremos pela vida. Vivemos na hipocrisia da fidelidade, quando todo mundo sabe que a grande maioria das pessoas “traem”. Vivemos um mundo afetivo oficial e um submundo de desejo, tesão e sexo paralelo, mas o pacto da mediocridade do: eu não quero que o outro faça o que eu quero fazer, mantém a maioria nessa mentira da posse, gerando sofrimento, culpa, ações ou coisas piores, quando os desejos se tornam maiores que os conceitos. Se a possibilidade de uma abertura afetiva/sexual inexiste… Não faça confusão! Vc ama seu marido e sua vida, mas quer DAR uma fugida!? Então DÊ! Até porque, se vc gosta de novidade, ela deixará de sê-lo quando vc a viver. Se não da para ser honesta na relação, seja com a relação extra, fazendo o que tiver que fazer sem criar maluquices afetivas, para justificar o sexo. Vá ser “feliz”, entendendo que a felicidade não esta na comida diferente que possamos COMER, mas na capacidade de nos satisfazermos com o que comemos ( não estou falando de acomodação, to falando do que deixa de ser novo quando conquistado) e continue para o que te completa plenamente, que não é apenas um prato “delicioso”, que não será comido todos os dias. Bjs

  4. desireepalombo disse:

    Bom, eu amo a novidade. Eu curto jogar as coisas pro alto e começar de novo, basta que eu esteja insatisfeita. Eu aprendi a me jogar. Pra mim isso é viver. E acho um sofrimento enorme e desnecessário um relacionamento monótono. Mas isso tudo só fui entender depois que terminei e conheci outras pessoas e outras delícias.

    Um momento não é “só” um momento né amiga? É seu desejo, pô… já basta!!
    Se você não pegar pode passar que tem um monte de bisca aqui que adora um sim!!! hehehe😉 bjo e boa sorte!

  5. Só percebi uma grande contradição no seu desejo: “sou feliz mas sofro pra caramba com essa felicidade”. Oras, interpretei que você passa por um momento de extrema infelicidade, por conta dessa tal fidelidade. Entendo, pessoalmente, que fidelidade se tem a si mesmo. E, independente da escolha feita, haverá sofrimento, é inevitável. As possibilidades são muitas, desde vc realizar o desejo e voltar pra casa satisfeita (ou não) até um drama mexicano de vc, “Maria Antonieta”, numa briga homérica com o “Roberto Maurício”. Se pelo menos souber que o “Ricardo Daniel” vale a pena, morde a uva! Beijos e, boa sorte!

  6. “angústia de saber que poderia (gostaria) ser mais”. Ser mais de vc mesma?

  7. Neiva disse:

    Depende da pessoa com quem vc está vivendo.. Se fosse eu tentaria conversar com ele sobre isso.Acho que é possível vcs inovarem o sexo, fazendo um dia diferentes: uma viajem, comida, vestimentas.Faz uma mistura loca aí.Se não der certo, e a insatisfação for aumentando espere um momento oportuno e fala pra ele tudo oq vc quer falar, tudo que vc se sentir a vontade pra falar.. Mas como eu não sou vc e como eu não sei quem é seu marido acho q não há muito oq fazer ou dizer…
    Te ofereço um ”abraço virtual” e boa sorte!
    Bjss!

  8. Jane Andrade disse:

    Eu vivi uma experiencia parecida e me entreguei plenamente, foi muito bom enquanto durou e não me vi traindo meu marido, e sim não traindo meus desejos, a vida é muito curta para ser deixada de lado, enquanto eu respirar vou sim vive-la intensamente, mesmo pq o desejo acaba antes da vida acabar, temos um período de desejos sexuais intensos, que com o passar do tempo vai deixando de ser tão intenso, pois somos hormonais. Não desperdice sua vida, insatisfação sexual também acaba com o casamento.

  9. mayroses disse:

    Querida, esse dilema me acompanha desde sempre…rs…mas uma hora a gente aprende a lidar com ele com tranquilidade…ora avançando…ora recuando…é sentir o tempo das coisas mesmo…enfim…seu post me lembrou uma música especial >> http://www.youtube.com/watch?v=KvB7vyBrfdE

  10. Andre Telles disse:

    Interessante…fora o maquinista ( que não dá para saber quem é) Só mulheres responderam. Difícil essa coisa do afetivo no homem. Talvez porque isso já esteja resolvido para ele.

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