Bonança

Juro que hoje eu queria escrever um daqueles posts cheios de cor, de calor e de alegria. Mas biscate também fica triste. Biscates, apesar de fortes, também podem acabar quase sucumbindo diante de questões sem uma solução possível a curto prazo, dependendo do tempo e de fatores externos para deixar de causar aflição.

Tá aí uma coisa que não desejo a ninguém: a aflição.

Todos temos problemas. Uns mais, outros menos. Mas todos temos. E nem sempre conseguimos lidar com eles com a serenidade necessária. E eu estou assim nos últimos dias, por um conjunto de fatores: uns são minha culpa, admito. Outros foram ocasionados por um sistema que funciona de forma bem precária e independe da minha vontade ou de minha atitude que algo mude nele. E, quando um pequeno avanço acontece, o dobro de retrocessos chega para “compensar”. Isso cansa bastante.

Ainda não tenho meios de provocar uma ruptura radical e definitiva com essa questão que tanto me aflige. Contudo, imaginem como é você ter que fazer todo dia algo sem a menor paixão. Sair da sua casa todos os dias  “se arrastando” para fazer determinadas obrigações que são apenas isso: obrigações. E o pior: você se sentir egoísta por reclamar tanto daquilo que te acontece enquanto tem gente vivendo de um jeito muito mais sofrido do que o seu, com menos amargura.

Vocês já pensaram que esse negócio de ser “bem sucedido” e “estabilidade” podem ser uma imensa furada?

Depois que “me descobri” biscate, aprendi a olhar muito mais para mim mesma e para os outros.  Como nunca tinha feito antes. Tenho quase certeza de que essa fase meio zicada faz parte deste processo. E que de alguma forma, irei crescer com isso. Só que paciência num é muito o meu forte e nas minhas veias, corre pressa ao invés de sangue. E entender aquilo que não serve para você quase sempre dói.

Desculpem se o texto de hoje fugiu da temática do blog. É que este é um dos poucos espaços que me representam ultimamente. Entendam este desabafo como uma forma que encontrei para exteriorizar o que sinto e ao mesmo tempo, compartilhar uma experiência que pode vir a acrescentar algo na vida de alguém.

Dizem que depois da tempestade, vem a bonança. Quando a minha tempestade acabar, espero poder voltar aqui para dizer que foi apenas uma chuva de verão que veio para me refrescar e fazer com que a minha visão fique menos turva para encontrar de verdade o meu caminho.

Sobre Cláudia Gavenas

Paulistana, 26. Designer, gateira, feminista e musical. Meio perdida na vida, mas não tem certeza se realmente quer se encontrar...
Esse post foi publicado em biscatagi, desejos de biscate, uma biscate quer e marcado , , , , , , . Guardar link permanente.

3 respostas para Bonança

  1. Fabio disse:

    Olá Claudia,

    Difícil mesmo ter que assimilar aquilo que foge completamente ao nosso controle e que de certo modo acaba causando algum tipo de impacto nas nossas vidas, nos nossos dias. Está sensação de “impotência” é foda.

    Tentamos desbravar a razão da nossa existência, mergulhamos fundo nas nossas almas (e eventualmente e presunçosamente na de um outro alguém…rsrsr), e nesta busca até encontramos algumas respostas (mesmo que provisórias), porém, muitas vezes somos consumidos pelas mazelas do dia-dia que exige de nós a paciência que não fomos disciplinados a ter.

    Enfim, acredito que o Henry tenha escrito algo que caiba aqui……

    “….um eterno desadaptado, que não busca prestígio nem meio de vida, mas apenas sobrevivência numa civilização impiedosa para todos os que se recusam a escravidão.
    O Fato é que ele tratou de vencer esta luta sem abdicar de sua personalidade em nada. Foge da escravidão como o diabo da cruz, deixa bons empregos para andar ao léu, mas livre, e assim o faz sem avisar a ninguém, cansado de ser uma rodinha dentro da grande máquina indiferente.

    Sente-se livre, embora perseguido pela miséria e pela fome, fiel ao seu propósito de apenas pertencer a si mesmo.

    Renuncia a tudo que não seja a sua própria autenticidade e entende que, carregado de servidões, o homem esta sempre a inventar outras, por mais êxito que tenha em sua carreira. Constrangimentos sem número cercam-no a todo instante, criados pelos preconceitos políticos, religiosos, sociais, econômicos, militares, metafísicos. Renega instintivamente, todas as manifestações da civilização da produção em massa, cheia de ideologias devoradoras, que transformam o homem em autômato e quase lhe condicionam os gostos e reações. Procura a libertação das almas, e nesta busca vai ao fundo dos problemas, não com a cautela de um anatomista que disseca, mas com a sinceridade de alguém que sofre.”

    Henry Miller – Trópico de Câncer

  2. Fabio disse:

    Em tempo,

    espero que em breve seus dias voltem a ser multicoloridos…(cores de Almodovar, cores de Frida)..

    See ya!

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