Sobre Beijos e Línguas

Aviso aos Navegantes:a Renata Lins publicou este post (Meus 50 tons de…) que incendiou a imaginação d@s bisc@s deste nosso querido Club. Decidimos, pois, cada um@ tratar do erotismo como lhe apetece. Inclusos @s convidad@s. Tem sido uma quinzena caliente não lhes parece?

#Erotismo em Nós
Sobre Beijos e Línguas, Augusto

Beijo: lábios, línguas, encontros. Sim, o beijo. A mais erótica das artimanhas, tão carnal e tão banalizada e, ainda assim (ou por isso), o que mais causa tesão. É o beijo, o bom beijo, o caminho para um bom sexo, para uma boa relação, para a duração de um relacionamento. Acabou o gosto pelo beijo, pode fazer a fila andar…

É assim que eu gosto. O grau mais básico de conhecimento do outro, língua com língua. Mas não só isso, para a língua chegar à língua precisa do olhar, da cumplicidade, do suspiro profundo captar todos os cheiros e perfumes, precisa do abraço, da pegada. Encostou lábio com lábio e não tremeu, nem precisa botar a língua lá que só vai achar cuspe… Sim, beijo por beijar é só troca de cuspe…

É isso mesmo! O beijo é o meu ato da entrega. Encostar os lábios, abrir suavemente a boca, invadir e deixar-se invadir pelo outra língua, com carinho, ternura e, mesmo, violência… descobrir se aquela boca é a “conta melhor que tiraste em vida”… O jogo de línguas, a troca de paladares, as mordiscadas nos lábios, a barba no pescoço, o beijo no pescoço, a pontinha do nariz subindo pelo lado do rosto, o toque úmido da boca naquele pedaço desconhecido entre a parte de trás da orelha, a nuca e o cabelo, o segredo de liquidificador…

Beijar é se unir, é provar o gosto do outro passando a língua no próprio lábio, só para ter certeza do quanto é bom. É ter as mãos nos cabelos, nos ombros, nas costas, na cintura, na bunda, nas pernas e naquilo e ter aquilo na mão e ter a mão naquilo e aquilo na mão e a mão naquilo e aquilo na mão… PERA! Já deixou de ser beijo… é outro post…

Beijo é abraçar por trás, acariciar o pescoço com ou sem barba, com ou sem dentes, com ou sem língua, encoxar… é todo o jogo de pernas, por frente e por trás, lembra que não existe pecado do lado de baixo do equador e da linha da cintura… fundamental! E em meio à encoxada, retomar o beijo, mesmo que dê torcicolo…

Muitos tipos de beijo, tic tac, selinho, lábios sem língua, lábios com língua, só línguas… mas guardem os dentes, pelo amor de dada! Lábios… lábios tremendo, comprimidos… explorar lábios reprimidos! Finos, grossos, pequenos, grandes lábios… Muitos tipos de língua: pequenas e sapecas, grandes e complacentes; sufocantes, extenuantes, insaciáveis, incontroláveis, preguiçosas, apavoradas… muito grossas, muito finas, línguas…

Procurar línguas diferentes e descobrir outros beijos. Pegadas diferentes, entregas diferentes… Ficar só em línguas brasileiras não me bastou… a curiosidade pela língua mãe fez da portuguesa, gráfica e ritmada, uma experiência oposta à pura malemolência tropical. As raízes italianas…a língua quente e arfante, digna de arrebatamento! A inglesa… cuidadosa e educada, que pede licença para entrar e marcar um compasso inteligente, irônico e amável.

São línguas, jeitos diferentes… Humores distintos. Estadunidense… afoitas e eufóricas, loucas que uma vez controladas levam ao êxtase! Húngara, aff, as húngaras! Não é atoa que o diabo as respeita… Quer que façam miséria no seu coração? Beije línguas húngaras… Turcas! Línguas engraçadas, quase apavoradas, sempre à espreita e dispostas à plena carícia… Francesa!!!! Nem quero comentar… Doces-apimentadas, revolucionárias, porém metódicas… cartesianas, postas e dispostas à experiência. Vietnamita… um tanto oprimidas… singelas, porém potentes, basta mostrar o seu jeito e aguardar o resultado…

Sou desses, dado à experimentação… Indianas… picantes, mas inocentes… quase exotéricas. Lituanas, carentes e potentes… incrivelmente compenetradas! Bermudas… safadas, nem um pouco sérias e perigosamente luxuriosas! Neozelandesas, incontroláveis e potentes… essencialmente oferecidas! E, por fim, a Grega, o poço da civilização! Se há língua a ser provada para mostrar o porquê da existência humana, beije a grega! Há no beijo grego algo inexplicável, algo metafísico, da esfera do inaudito… o beijo grego é o ponto alto de toda a entrega, o berço de onde todas as línguas buscaram seu aprendizado! Um beijo grego pra todos vocês! Beije!

Outros textos da série #Erotismo Em Nós:

Façamos, Renata Lima

Trinta Anos Quase, Renata Lins

Orgia com Brando e Schneider, Lis Lemos

O triângulo aponta o caminho, Niara de Oliveira

Erótico Pornográfico, Bete Davis

Águas Feminnias, Sílvia

Espera, Raquel

Inverno, Perséfone

Sobre mozzein

Augusto Mozine aka @Mozzein é desses. Desses que chega conquistando espaço. Diz-se por aí que ele não gosta de rótulos, mas nós por aqui dizemos que é cientista social e surrealista. Se você passar quietinho e com atenção, vai ouvi-lo conversando com estátuas enquanto escreve nonsense pra quem quiser… Se espalha entre O Blog que Habito, Pode isso, Nelson? e Hipérbole Política (um segredinho: é um inveterado apaixonado, sofre e aproveita o melhor e o pior que as pessoas estão dispostas a oferecer…).
Esse post foi publicado em desejos de biscate, erotismoemnós, uma biscate quer e marcado , , , , . Guardar link permanente.

8 respostas para Sobre Beijos e Línguas

  1. Renata Lins (@repimlins) disse:

    Lindo post para alegrar uma segunda-feira vadia. Sorri do começo ao fim (quando ri, né).
    E olha: pressinto filas, depois dessa declaração explícita e detalhada. Vai ter gente querendo provar virando a esquina. Pode chamar os camelôs p vender biscoito Globo e refrigerante!

  2. Jeane disse:

    Depois de ler esse texto, chego a conclusão que só o beijo grego (mt bem dado e bem recebido) nos salva!

  3. suzana Dornelles disse:

    ” Acabou o gosto pelo beijo, pode fazer a fila andar…” Dissestes TUDOOOOOOOOOOOOO! Maravilha de texto!

  4. José João Louro disse:

    Somos de tempos diferentes
    intersectados em murmúrios,ternos desejos,beijos demoníacos
    distanciados pelo espaço-tempo dos fantasmas que nos assolam
    nunca nos vimos ,nunca nos descobrimos
    a imagem-movimento deleuziana, constrói-se dentro de mim
    serei sempre uma projecção algébrica,um ponto , no plano da sua vida.

    Numa matriz ,o nosso amor é uma impossiblidade
    Não há linha de vida no horizonte
    Nem vertical onde acostar
    Não existem pernas onde me a minha língua se possa deslumbrar
    Nem sexo para lentamente abrir com o ritmo de um Stradivarius
    As sinfonias possíveis são totalmente interiores
    Os beijos são funções irreais,polarizadas de dor, definidas pela negação

    Somos de tempos diferentes
    Descobrimo-nos em viagens interestelares
    Vieste de uma lua da deslumbrante G-735
    Parti de uma semi-apagada a H-842
    Por todos os universos fizémos amor

    Passei a lingua pela deliciosa mistura dos nossos odores
    Embriagado pelo clima de infinitos planetas
    Resisto,no entanto ,ao mergulho no teu sexo ávido
    Sou doutro sistema,doutra estrela,doutro planeta
    Donde venho o amor se transmite em pleno voo
    Nas tuas asas plenas de utopia

    Jose joão louro
    Vila Nova de Milfontes
    Portugal

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