Tudo o que você sempre quis saber sobre casas de swing…

…e nunca teve coragem de perguntar!

#WoodyAllenfeelings

Você já teve vontade de ir a uma casa de swing? Se já teve vontade, mas não teve coragem, eu te esclareço como é. Como é que eu sei como é uma casa de swing? Indo a elas, claro. No plural, porque elas são bem diferentes.

Pra começo de conversa, tudo parece uma boate mesmo. Tem música, a depender do tipo de público que frequenta e isso também depende do dia da semana, barra, bebidas, pista de dança e óbvio um pole dance, ou mais de um. Como toda boate é meio escuro lá dentro (ufa).

Mas não é só ir chegando e pagando o ingresso. Aliás, o ingresso já é um caso à parte: costuma ser, em geral, bem caro para homens solteiros – aliás caríssimo; caro para casais e barato ou liberado para solteiras, isso geralemente dependendo do dia da semana. Se for uma casa de swing, digamos, séria, frequentada por casais swingers mesmo (um swing moleque, de raiz), há uma triagem feita pelos donos da casa. O casal deve comprovar o casamento, relação estável ou união estável e passar por uma espécie de entrevista.

E para que essa burocracia? Simples, os swingers, as pessoas que se excitam ao ver o parceiro com outra pessoa e gostam de fazer isso junto e de forma segura querem também conhecer outras pessoas legais e fazer isso de forma frequente. Nas boas cassas do ramo (ui! esse é um texto cheio de boas interjeições!) os grupos, depois de um tempo, se formam  estavelmente e passam – inclusive – a fazer festinhas privê fora dali. Porém, como há uma demanda alta dos homens de ir a casas de swing e eles nem sempre encontram parceiras disponíveis, contratar prostitutas para poder pagar mais barato ou até para poder entrar (em algumas casas, ou em alguns dias, em geral os melhores, homens solteiros são vetados) torna-se uma opção.

E qual o problema de ser uma prostitua, MM? Vocês não são liberais? Sim, somos. O problema da prostituta é que ela não está ali, digamos, com o mesmo fogo e desejo do que alguém que foi sem maiores objetivos financeiros. Ela não tem, necessariamente, essa fantasia e essa disponibilidade. Isso corta o tesão de alguns. Outras pessoas tem preocupações com doenças mesmos. Não vou aprofundar a polêmica. O corrente é: as boas casas de swing tentam sempre vetar a entrada de profissionais do sexo – tanto masculino quanto feminino. Obviamente às vezes o controle falha, mas não por muito tempo. O frequentador assíduo nota logo e em geral o casal montado é convidado a se retirar.

 As casas que já fui tem os seguintes ambientes: – bar- boate- mesinhas- palco- pole dance no palco, darkroom (com ou sem labirinto), salas espalhadas e quartos, pequenos ou grandes, com paredes de vidro ou fechadas – para agradar exibicionistas e voyeurs. Darkroom é literalmente isso um quarto escuro – no caso, bem, bem, bem escuro, mal se enxerga dentro, só se sente as mãos (ai!). Labirinto é um labirinto mesmo – vários cantos com cadeiras, puffes, recamiers, etc., em geral também bem escuro. Óbvio que tá uma suruba lá dentro e ninguém é de ninguém.

 Mas as pessoas das casas de swing são bem mais educadas que as de uma boate, embora esteja todo mundo ali pra isso mesmo, todo mundo é adulto e sabe que ninguém é obrigado a nada.  Você pode ter ido só pra olhar, só pra se exibir,  pode não ter sentido tesão pela pessoa que te canta… e aí que está a diferença de uma balada normal. O approach, digamos, é bem mais direto, mas também o fora é levado com bem mais elegância. O não é respeitado como não, ponto e dificilmente quem foi declinado é insistente. Outra coisa, todo mundo, homens e mulheres, indistintamente, todo mundo anda com camisinha no bolso, e os homens colocam tranquilamente, nem precisa rolar aquele momento em que a gente pergunta – e aí, e a camisinha? Todo mundo usa mesmo.

Também é muito comum que uma grande parte das mulheres do local sejam bi, já os homens…pouquinhos, nem lembro se vi. Se eram bi, não mostravam foram do quarto. Em geral tem festas temáticas – noite da minissaia, noite da máscara, medieval e óbvio, carnaval, ano novo e tal. As bebidas são caras. As camareiras que limpam os quartos depois de cada uso são bem discretas e você mal as vê, os garçons em geral  costumam puxar uns papos, inclusive já bati papo com um que era evangélico (sou dessas, rs).

A primeira vez pode rolar um pânico de – e se eu encontrar alguém conhecido? – bem, como a pessoa ali vai estar fazendo o mesmo que você, desencana e vai. Mas jamais, nunca comente fora dali que viu fulano ou sicrana. A gente sabe como é essa nossa sociedade: todo mundo pode transar, mas o mundo não pode saber que ninguém transa. Um certo sigilo, por princípio, é bem vindo.

 Mas e as pessoas do lugar são bonitas? Bem, sei lá… o que é beleza para você, tem gente normal. Bonito, feio, alto , baixo, gordo, magro, careca, cabeludo, etc. Ou seja, gente de tudo que é jeito. Escolha o que te agrada e lembre-se é permitido declinar o convite para a transa. Aliás, sempre se convida, nunca chega pegando, a não ser no labirinto ou darkroom, e mesmo assim a pessoa pode tirar a sua mão, ok? E engraçado que, na minha experiência, na maioria das vezes, o contato foi feito pela mulher do casal. De todos os casais que ficamos amigos e conversei mais, as mulheres é que tinham a fantasia de conhecer a casa de swing! O que era também o meu caso.

Inclusive é fácil notar quando alguém – geralmente a mulher – foi para cumprir a fantasia do outro e não a sua, em geral rolam ciúmes e emburramentos e costuma resultar em briga. Vi isso muitas vezes. Não estou aqui botando regra, estou aqui contando o que observo. Aliás, como em qualquer outra fantasia ou fetiche, se o desejo não é seu, mas só do outro e você está ali só pra tentar fazer a relação funcionar, para que a pessoa não te abandone, não há entrega, o sexo não fica tão gostoso. Sexo bom, acho eu, é feito com desejo, intensidade e vontade. E o desejo é seu, não do ouro. A fantasia do parceiro pode até se tornara a sua também, mas aí ela também é sua e não somente dele.

 Resumindo: casas de swings são boates onde rola um surubão, em geral são caras e vai gente comum. Tá a  fim? Descubra se tem na sua cidade e se informe sobre as regras da casa e…bon appétit!

Sobre mmerteuil

Eu escolhi a devassidão. Sou senhora do meu corpo e do meu gozo. O primeiro, dou a quem e como quiser. E, apenas, se quiser. O meu gozo, obtenho-o nos corpos alheios e nas palavras que me despem: sedução, vingança, domínio, prazer. Sexo, claro, muito. O que me atrai é o que escondem. O mal dito. As entrelinhas. Entre corpos. Aprendi a ferir mortalmente. E a não abrir mão do meu desejo. Gosto de pensar: depravada, cruel, libertina. Gosto que, quem saiba, não possa dizer. E que, quem pode dizer, não tenha o que falar.
Esse post foi publicado em biscatagi é cultura, biscatagi especial, desejos de biscate e marcado , , , , . Guardar link permanente.

6 respostas para Tudo o que você sempre quis saber sobre casas de swing…

  1. Renata Lins (@repimlins) disse:

    Taí um post útil…🙂

  2. Daniel Nascimento disse:

    E viva a não-exclusividade!

  3. crisrangel disse:

    Eis aquilo que povoa imaginários, mas que nem todos admitem. Belo post, educativo, pra dizer o mínimo!😉

  4. Adorei o post. E adorei a disposição da autora em colocar no ar a provocação. Como em meu mestrado pesquiso sobre swing e sobre como as mulheres se veem nesse ‘universo’, gostei de ver a autora falando do assunto sem ressalvas, sem mi mi mi.
    Mais um viva! rs.

  5. Joyce disse:

    Belo texto! Parabéns! Mas a descrição da autora é um show a parte.❤

  6. Lara disse:

    Poxa… Nadica de nada falando de lésbicas. Tenho curiosidade em saber sobre casas de swing lgbts. E acho que a dúvida que caberia no contexto do texto é: e se for um casal de meninas bisexuais, pode entrar como casal ou entram como mulheres solteiras apenas?

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s