Pode rezar por mim que eu deixo

Sou fã de mimimis, só que não, principalmente os da vida real. Acho que muitos deles ajudam a mostrar quem realmente somos e muito do que estamos tentando esconder sobre nós mesmo… Mimimi é como o recalque fala… Um dos mais interessantes é o relacionado à religião e vem em múltiplas frentes: os fanáticos religiosos, dos que creem em alguma coisa e ama, dos que creem em alguma coisa e odeiam e dos que não creem em nada, pra citar os mais comuns.

Eu acho um saco esse bate boca entre “fanáticos retrógrados” e “ateuzinhos modernos” (faltam aspas) do que pode e o que não pode com relação às crenças, de como tem ou não que ser; se, quando, onde e para quem pode rezar… Tipo, piro o cabeção… Que o Estado é laico, sem discussão. Que a religião não deve ser usada para afligir o corpo e a mente, ou a alma pra quem tem ou acredita ter, inegável! Essas discussões são meio que fora de questão, mesmo que eu esteja vendo obviedade onde não tem, elas comportam extremos e grupos sociais que só se relacionam para tentar se cutucar com vara curta… e no mau sentido…

Sim, to falando do dia a dia. Da convivência com avós, pais, mães, tias novas, velhas, chatas e moderninhas, irmãos e amigos… Não entendo como as pessoas podem ser tão intransigentes na esfera de relacionamentos cotidianos quando um assunto tão fácil de rechaçar hoje em dia, a crença, vem à tona. Às vezes falta um pouco de “50 tons da minha mão na sua cara”, mesmo que imaginários, para que isso se resolva…

Me ocorre sempre aquela situação relativamente comum em que algum desses “crentes” que conseguem operar a maravilha de amar o próximo (nem Freud explica), as vezes na inocência, soltam aquela: “vou rezar por você”. Desde que não seja rezar para me fazer mudar, me explica o mal que há nisso? O povo do mimimi não entende que isso é, talvez, uma das maiores demonstrações de carinho que podem estar recebendo. Pensa bem, alguém está se dispondo a deliberadamente dispensar parte de seu tempo pensando em você, pensando no seu bem.

Ao invés de reclamar, podia, sei lá, descobrir uma forma de retribuir… Depois que eu me dei conta disso, ao invés de me aborrecer quando minha avó dizia que ia rezar por mim, passei a responder: e pra comemorar vou na balada hoje, vó, vou fazer um pega-pega em homenagem a você! Pode rezar que eu deixo!

Sobre mozzein

Augusto Mozine aka @Mozzein é desses. Desses que chega conquistando espaço. Diz-se por aí que ele não gosta de rótulos, mas nós por aqui dizemos que é cientista social e surrealista. Se você passar quietinho e com atenção, vai ouvi-lo conversando com estátuas enquanto escreve nonsense pra quem quiser… Se espalha entre O Blog que Habito, Pode isso, Nelson? e Hipérbole Política (um segredinho: é um inveterado apaixonado, sofre e aproveita o melhor e o pior que as pessoas estão dispostas a oferecer…).
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7 respostas para Pode rezar por mim que eu deixo

  1. Engraçado. Antigamente quando alguém desabafava seus problemas dizer “vou rezar por você” era algo tão natural quanto dizer “gosto de você” ou “não fique assim, vai passar”.

    E sim, eu rezo mesmo quando falo isso pra alguém. Com certeza é uma demonstração de preocupação, de carinho, de amor.

    Aí, com o significativo aumento de ateus e agnósticos, comecei a ficar constrangida e me atrapalhar toda nessa hora. Agora, quando alguém que sei, não tem crenças, reclama da vida comigo, me atrapalho toda na hora de tentar falar algo. Falo “vou vibrar por você?” (muitos ateus acreditam em energia positiva, então…) posso falar também “estarei pensando em você” (no meu caso, pensando na pessoa da forma que sei, rezando por ela), mas sempre acabo gaguejando e sem saber o que dizer. É como se meu sentimento de solidariedade de repente pudesse se tornar invasivo, provocativo, menos confortador como eu gostaria que fosse.

    Está sendo um aprendizado pra mim. Não deixar de rezar, mas deixar de falar isso. Afinal, como você disse, que mal faz eu rezar por alguém que amo? Se a dificuldade consiste em aceitar minha fala, então vamos reconstrui-la!

    Beijos, mocinho! Vou torcer por você! (outra variante aceita no mundo atual…rs)

    • Alessandra disse:

      Já eu acho um saco etiquetar as pessoas (por exemplo, “fanáticos retrógrados” e “ateuzinhos modernos”). Mesmo com todas as aspas do mundo, continuaria sendo uma classificação reducionista. A laicidade do Estado é constantemente violada, a religião é usada com fins variados e duvidosos e você acha “a crença” fácil de rechaçar? Jura mesmo?
      Adriana, se alguém diz que vai rezar por mim, agradeço. Só não respondo “amém”.

      • mozzein disse:

        Ironia MODE OFF. Alessandra, a intenção do texto não era “ser acadêmica” sobre o assunto, muito menos séria ao ponto de aprofundar esse tipo de discussão, mas acho válidas as suas colocações… Ironia MODE ON. Mesmo porque você coloca direitinho! #CêJura?

    • mozzein disse:

      Olha, eu não tenho muito pudor não, digo “Amém”, “Graças a deus”, “se deus quiser” e correlatos pra todo mundo… rezar eu não rezo mesmo, mas aceito de bom grado. É como eu disse, o pensar no outro de acordo com a sua crença, desde que não seja para lhe impor algo, é hiper válido pra mim! Afinal, não é só “Pense em mim/Chore por mim/ Liga pra mim”…rs ;-*

  2. Renata Lins (@repimlins) disse:

    Adorei, Augusto. Um pouco mais de malemolência não faria mal a ninguém. Eu já tentei ser atéia: mas sou mística por natureza, amo rituais, velas, cores, cheiros, gostos, roupas. Amo. Desisti. Costumo dizer que entro em qualquer templo que me aceite. E rezo: pros deuses. Beijo grande.

    • mozzein disse:

      Pois é, Rê, eu também… bebo de todas as águas que me fazem bem e não tenho problemas ou dificuldades com isso… e não me importo muito com os problemas ou as dificuldades dos outros. Isso ajuda!😉

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