Os 12 Kg a mais…

Fui uma adolescente esquálida. Daquelas que, mesmo comendo quantidades gigantescas de comida, mal conseguia chegar aos 50 Kg (tenho 1.67 m de altura). E naquela época, todas as minhas amigas tinham corpos cheios de curvas, corpos que eu (e o censo comum) considerava perfeitos. Ideais. Tudo que fugisse daquilo não era bonito. Muito pelo contrário…

O tempo passou, minha rotina mudou e eu engordei. 12 Kg, para ser mais precisa. Meu corpo foi ganhando aquelas antes tão desejadas curvas. Ganhou também algumas estrias, celulite, dobrinhas na barriga, seios maiores… Aí, as pessoas que tanto diziam “você é linda, queria ser magrinha assim” (apesar de eu achar exatamente o contrário) na época de magreza passaram a me dar conselhos sobre como perder peso era importante. E que se eu engordasse um pouco mais, ficaria horrorosa.

Como na época eu não era tão corajosa e bem resolvida quanto Ana, eu me esforçava para emagrecer. Para voltar a ser tão magra quanto antes, sem me importar muito com o preço que eu teria de pagar. Deixei de comer o que eu gostava, recusava sair com minhas amigas para comer e muitos foram os almoços em família que perdi. Fazia apenas uma refeição por dia. Me sentia muito fraca e infeliz e só não me aconteceu nada mais grave, como anorexia ou bulimia por exemplo, porque recebi ajuda à tempo. E porque descobri que nada daquilo era o que eu queria de verdade.

Quando entendi que não aceitava meu corpo do jeito que era por causa da opinião dos outros, desencanei. E decidi começar a cuidar dele e a aprender a amá-lo do jeitinho que era. Hoje sou bem mais saudável, me alimento bem, pedalo, corro, tomo cerveja, Coca-Cola, me acabo nos chocolates. E continuo com os meus 12 Kg a mais, minhas curvas, minha celulite e minhas estrias. Mas agora, mais feliz. E definitivamente: penso que a diversidade de corpos é o que embeleza de um jeito todo especial cada um@ de nós.

Sobre Cláudia Gavenas

Paulistana, 26. Designer, gateira, feminista e musical. Meio perdida na vida, mas não tem certeza se realmente quer se encontrar...
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2 respostas para Os 12 Kg a mais…

  1. lislemos disse:

    Cláudia, que delícia de texto. Ao contrário de vc, NUNCA fui magra. Costumo brincar que nem as minhas roupas de bebê eram P. Sempre foram G. e isso sempre foi um problema, pq a amioria das minhas amigas fazem o estilo mignon, pequenas e magrinhas. E daí q tem bem pouco tempo q descobri q existe uma diversidade de corpos e que eu sou mto feliz com o meu!
    beijinhos

  2. Renata Lins (@repimlins) disse:

    Pela diversidade. Pelos corpos reais. Viva você e cada uma de nós. Beijos!

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