Sabor Memória

Por Fernando Antolin*

Porque se pode sentir sabores e saudades do que nem se viveu, a receita de hoje é velhinha do tempo da minha avó paterna, Inêz, que eu não cheguei a conhecer. Grande mulher e grande cozinheira, foi o que sempre ouvi dizer.

Não sei se o pessoal biscateiro é adepto de caça ou se minha reputação vai descer mais que o nível do Mar Morto, mas enquanto cacei posso dizer que disfrutei de alguns dos mais belos dias de minha vida. Natureza vivida em pleno, amizades que se estreitaram e o desafio de superar a astúcia animal, afinal muitas vezes perdido.

Assim, tende paciência… e imaginação pra fazer as analogias que se evidenciam. Se mais não seja, viver plena natureza, com amigos e superação é um bom traçado pra ser biscate.

A fotografia foi tirada há já alguns anos, por 2004 ou 2005, no cantinho nordeste de Portugal, perto de Miranda do Douro. Na foto vejam o meu saudoso amigo José Carlos Terroso, seu cão Braco de Auvergne, Dragão e o vosso cronista, à direita (não temos um ar demasiado selvagem, creio…). Então, à receita:

Pombos Bravos como os fazia a minha Avó Inêz

Num tacho deita-se azeite e fritam-se pedacinhos de toucinho e rodelas de chouriço. Retira-se o toucinho e chouriço e no mesmo azeite refoga-se bastante cebola picadinha.

Em estando lourinha, deitam-se dentro os pombos, com alho picado, louro, noz moscada, salsa picada, colorau, sal, pimenta, manteiga, banha, um gole de vinagre, outro de vinho branco, outro de aguardente velha e um pouco de tomate em conserva.

Tapa-se e deixa-se cozer em lume forte; depois destapa-se e deixa-se apurar o molho.

Nem demora tanto e já a tem para beber com um tinto de corpo robusto a acompanhar. E se não se abate pombos? Passa-se no mercado e pega-se uma galinha que já a fiz assim e ficou boa, boa!

.

*Fernando Antolin é de além-oceano. Tem uma queda por sol, caranguejo e cenas de felicidade à beira-mar. Não à toa, aqui ao lado pode ser visto na praia de S. João da Caparica, compondo uma imagem de intelectual aprumado. Chapéus e almofadas em quantidade, que seus 56 anos já dobrados suportam mal a areia dura e o sol ardente. Mar lisinho e não frio. Acha ele, e deve estar certo, que a mulher, filho e filha, não o levam demasiado a sério. O gato da casa também não. Gosta de conversar, rir. De ouvir, as gentes e o silêncio. Ama poesia e gosta de planadores. Do mar. Fintou um cancro. Gosta de viver.

Sobre biscatesocialclub

"se acaso me quiseres, sou dessas mulheres que só dizem sim..."
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2 respostas para Sabor Memória

  1. Jeane disse:

    Aqui a versão codorna, nessa receita, já fica um arraso… As receitas em português lusitano parecem poemas, né? É muita dignidade! rs

  2. Que linda a participação do Fernando no blog ❤
    Realmente nós vemos pessoas lindas de todas os sabores no BiscateSC

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