Um medo biscate

Ser deixado à medida do Bonfim, não valer pra ninguém. Esse é o medo Biscate. Entenda, a biscatagi não quer dizer que nossos padrões sejam baixos e que não nos importamos com a duração da relação. Ao contrário, nós, biscates, vamos atrás de experiências para, justamente, encontrar aquela que atenda perfeitamente aos padrões que estabelecemos. Não nos contentamos com o “de qualquer jeito”.

É uma questão de se dar ao luxo e, mesmo, de amor próprio. Biscates têm três tipos de status de relacionamento: na pegação; com o amor da vida em determinado momento; e melhor só, porque to com preguiça. Acho que é por isso que ser biscate incomoda. Porque, vamos combinar, ser de bem com vida, seguro de si e do próprio corpo e ainda passar o rodo é algo que gera alguma indignação no bonde do recalque…

Mas voltando ao medo, sim temos medos. Medos que se reportam a nós mesmos e que pouco têm a ver com qualquer pressão social. Biscates têm medo de solidão, não da voluntária, é ótimo sumir de vez em quando, mas daquela que ocorre pelo “desaparecimento” das pessoas queridas – também chamado Efeito Vida-Maldita. Biscates têm medo de rotina e de calmaria, a intensidade com que vivemos nossa vida e relacionamentos mostra isso e cair na vala da mera sobrevivência é morte para um/uma biscate. Biscates têm medo da perda e não estou falando de pé-na-bunda, isso é normal na vida de qualquer um, mas sendo tão passionais e intensos como somos, perdas esperadas e inesperadas são grandes inimigos da biscatagi.

E o diabo do “não valer pra ninguém”? Esse sim acaba com qualquer biscate! Não queremos trocar nada em miúdos, aliás, ao caralho com as miudezas. Nós buscamos nossa metade, quem nos faça um par nessa valsa triste e não somos exigentes… que seja no centro de um planalto vazio, como se fosse em qualquer lugar, nos basta o outro…

Leo e Bia

E o não valer pra ninguém… sim, porque as vezes a gente não acha… Outro dia eu mesmo tinha cá pra mim que eu vivia enfim um grande amor… Mentira! Era a cabrocha mais bonita de toda a ala. Não só arrasou com meu projeto de vida, como me deixou mudo o violão! Pois, é, mas somos biscates, seguimos em frente e continuamos procurando, podemos até “não valer pra ninguém”, mas que seja pela tentativa e não pela falta de experiência! Aproveita que hoje samba saiu!

Sobre mozzein

Augusto Mozine aka @Mozzein é desses. Desses que chega conquistando espaço. Diz-se por aí que ele não gosta de rótulos, mas nós por aqui dizemos que é cientista social e surrealista. Se você passar quietinho e com atenção, vai ouvi-lo conversando com estátuas enquanto escreve nonsense pra quem quiser… Se espalha entre O Blog que Habito, Pode isso, Nelson? e Hipérbole Política (um segredinho: é um inveterado apaixonado, sofre e aproveita o melhor e o pior que as pessoas estão dispostas a oferecer…).
Esse post foi publicado em biscatagi, desejos de biscate, uma biscate quer e marcado , , , , , . Guardar link permanente.

4 respostas para Um medo biscate

  1. Gilson Moura Junior disse:

    Talvez seja por isso adotei um certo lema: “Não me ensine a morrer que não quero. Eu não quero me perder, eu não quero te perder. Perdão, você!”

  2. Vivi Ayres disse:

    Este blog me dá uma sensação de liberdade…de que tem mais gente “que nem eu”
    Eh tão bom me reconhecer em outras pessoas… em outras palavras…em outros/mesmos medos…
    Perfeito Mozine! ❤ ❤

  3. Renata Lima disse:

    Seu post é meio que resposta tb para a pergunta: amor, paixão, por que a paixão acaba, e blábláblás afins.
    Adorei, claro.
    Biscate tem medo, claro, tb.
    Mas tem coragem.
    E quem tem coragem não finge.

  4. Jeane disse:

    Exijo respeito, não sou mais um sonhador, e, chego a mudar de calçada, quando aparece uma flor e dou risada do grande amor… Mentira!!!

    Chico destilando verdades pra gente. Dói demais amar, mas como fazer as coisas de outro jeito? Meu peito é nerudiano, pernambucano e ibérico. Tô ferrada! rsrsrsrsrs…

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