Do Povo

Por Fernando Antolin*

E a Luciana jurou que eu tinha que ajoelhar.

Já estou rezando…

Olha isto não é mais que uma pequena achega de quem não sabe escrever e cujo talento (nunca reconhecido…) era o de encravar campaínha de porta com um pau de fósforo…

Não vai ser mais do que um biscate, mas daqueles que você faz para quebrar um galho, bem à portuguesa, para desenrascar. Que eu não sei se tenho jeito para biscatear, de má (ou boa…) vida…

Explicação metida a socio-intelectual, a minha cidade natal é Santarém, a do Ribatejo. Fica no alto dum morro e olha para o rio em baixo, o Tejo e chama às margens de cada lado, lezírias. Terras de cultivo de cereal, zona alagadiça onde pastam também toiros bravos.

No horizonte a nascente, fica a charneca, terreno seco, pedregoso, estevas, urze, sobreiros e azinheiras, árvores que embalam o vinho. E tem medronheiros, para você comer o fruto e assim desculpar depois o tiro que falhou a perdiz …

Do lado do poente, o bairro, que eu acho ser corruptela de barro, dado seu terreno argiloso. Campos ondulados, olival, as terras de “procurar por Seca e Meca e olivais de Santarém …”.

Era daí que vinham os grupos até à zona junto à lezíria, aos vinhedos e campos de vários cultivos, para trabalhar nas vindimas e outras colheitas.

E o/a encarregada da comida iniciava bem cedo o preparo da massa à barrão, prato simples de ingredientes rústicos. Que a faina começava cedo e o almoço era ao meio da manhã.

Final rápido, que a socio-cultura secou: no campo agora trabalham máquinas ou ninguém… há talvez mais pássaros e tempo para os ouvir cantar. Há flores e insectos. Não há gente. Há vida …?

Massa à Barrão

Refoguem cebola, alho, louro e salsa picada, em azeite. Em alourando, vá de juntar tomate e temperar com sal. Juntai também pimentos ás tiras, da cor que mais vos entusiasmar. Deixem cozer um pouco.

Reguem com vinho branco e juntem uma malagueta, assim para espevitar a coisa. Depois de envolver isto tudo, vá de algum bacalhau que levou um entalão, lascado, batatas aos quadrados e macarrão grosso ou cotovelos, essa massa assim tipo bruta.

Juntem também algum grão. Deixem cozer, tendo junto a água de cozer o bacalhau, se o quiserem assim. Antes de servir e provado a ver se precisa de algum toque de tempero, um pouquinho de coentros.

E assim se fez, mais uma versão da massa à Barrão. Vinho tinto, poderoso…
( o que eu não faço por vocês, a alguns até explicarei o que é um barrão !! )

.

Fernando Antolin é de além-oceano. Tem uma queda por sol, caranguejo e cenas de felicidade à beira-mar. Não à toa, aqui ao lado pode ser visto na praia de S.João da Caparica, compondo uma imagem de intelectual aprumado. Chapéus e almofadas em quantidade, que seus 56 anos já dobrados suportam mal a areia dura e o sol ardente. Mar lisinho e não frio. Acha ele, e deve estar certo, que a mulher, filho e filha, não o levam demasiado a sério. O gato da casa também não. Gosta de conversar, rir. De ouvir, as gentes e o silêncio. Ama poesia e gosta de planadores. Do mar. Fintou um cancro. Gosta de viver.

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"se acaso me quiseres, sou dessas mulheres que só dizem sim..."
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