Como Ser Uma Biscate – Piaf

Por Liliane Gusmão*

Nascida em 1915 e morta aos 47 anos em 1963. Ela cantou o amor, ficou conhecida primeiro como pardalzinho “Môme Piaf”. Ela amou e muito. Seus romances foram a inspiração para sua música, o amor foi a força da sua arte.

É adorada até hoje na França e no mundo inteiro. Edith Piaf a biscate que primeiro me inspirou. Encontrei-a na minha adolescência, nos vinis da coleção do meu pai e passei muitas tardes embalada na melodia da sua voz. Naquela época não entedia o que ela dizia mas sua música me encantava assim mesmo. Me interessei em aprender francês pela primeira vez por causa dela, para entendê-la.

Com o tempo a minha admiração só cresceu pela força e coragem dessa biscate. L’hymne à l’amour, Padam Padam, Milord, La vie en Rose, Non Je ne regrette rien entre tantas embalaram os dias de melancolia da minha adolescência.

Esses dias escutei a música de Michel Emer: “A quoi ça Sert l’amour” que ela cantou em dueto com seu último marido Theo Sarapo. Essa música me inspirou a escrever esse texto.

Na música ela explica para que serve o amor. Edith era uma mulher livre, que viveu com intensidade todos os seus amores. Só quem amou como Edith, sem travas ou convenções e sem arrependimentos. Só quem, como ela, se entregou livremente, sem amarras e intensamente, pode explicar para que serve o amor. Ela diz na música: o amor serve para amar, depois de passar o amor nos deixa na boca o gosto de mel dos dias que passamos amando. É isso que alimenta nosso coração enquanto outro amor não vem.

O que pode ser mais biscate que amar assim sem freios, sem normas e expectativas. Amar pelo amor, pelo gosto de amar, viver para amar e se fazer amar. Entregar-se generosamente sem esperar nada em troca, sem requerer contratos e compensações. Há que se ter muita coragem, para nos entregar nos braços dos amores e gozar de todos os seus desejos.

A coragem de ser do amor sem se importar em conquistas eternas, casamentos ou convenções sociais. A coragem de sofrer o que for preciso e depois de ter tido a chance de amar, se refazer e não perder a próxima chance de ser e fazer feliz. Seguir em frente, seguir vivendo e amando, sem amarguras, sem arrependimentos, sem medo, sem reservas.

A coragem de se entregar ao amor não pelo medo da solidão ou qualquer outro motivo, e sim pelo prazer do encontro. A coragem de fazê-lo quantas vezes forem necessárias até que encontremos o amor que ficará conosco até o dia de nossa morte.

Amar em todas as oportunidades deixar-se encher de lembranças boas e doces com as pessoas que o amor nos entrega. Levantar-se após as quedas disposta ainda a continuar amando sempre e ser para sempre amada por tantos, por todos. Assim foi Edith.

.

* Liliane Gusmão é brasileira residente no exterior. É feminista, arquiteta, estudante, imigrante, mãe, filha, irmã e mulher. Tem 38 anos, mas, confessa, às vezes parece ter 13 ou 130. Exagerada, rebelde, cansada, impaciente, indecisa. E, acrescentamos, inteligente e terna. É autora do Ponto de Fuga.

Sobre biscatesocialclub

"se acaso me quiseres, sou dessas mulheres que só dizem sim..."
Esse post foi publicado em biscatagi é cultura, biscate convidada, memória biscate e marcado , , , , , , , . Guardar link permanente.

3 respostas para Como Ser Uma Biscate – Piaf

  1. Deh disse:

    Mas que coisa mais linda de post!! Também descobri Piaf na adolescência e me encantava com o timbre e o vibrato da sua voz. Com as “francesices” das melodias e arranjos e com a dramaticidade dos duetos. “C’est toi”, com o Eddy Constantine, e “Les amants”, com o Aznavour, são meus favoritos.

  2. maiacat disse:

    adorei o post! realmente inspirador! e que fofura eles cantando a música

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s