Tem sempre que gozar?

Por Sueli*, nossa Biscate Convidada

Sobre dicas para enlouquecer seu homem no sexo, o mito de ser uma mulher “boa de cama” e obrigatoriedade do orgasmo.

Sexo é um assunto que sempre me interessou desde que eu soube (teoricamente) do que se tratava. E apesar de só saber do que se tratava na prática bem mais tarde (por ter sido criada na religião que prega o sexo só depois do casamento, aliás, minha relação com a Igreja Católica vale um outro post), sempre li as famigeradas publicações femininas de grande circulação. Até pouco tempo atrás, era leitora assídua de colunas femininas em grandes portais, que sempre dão essas dicas de “como agradar um homem na cama”. Por muito tempo, tive esse senso comum de que eu deveria ser “boa de cama”, pois se não fosse, o meu homem me deixaria por outra que hipoteticamente seria melhor do que eu porque se submeteria às coisas que não aceito.

Então fui apresentada ao verdadeiro feminismo (sim, pois eu pensava que saber agradar um homem na cama era coisa de mulher moderna), e que a minha maior preocupação deveria ser com o meu prazer.

Apesar de eu não ter a vida sexual que gostaria de ter (invejo as biscates que levam quem querem para cama – ainda não domino essa sábia arte da biscatagi), a pouca experiência que tenho já me mostrou o que eu gosto e o que eu não gosto durante o sexo. Aí é que entra a minha grande descoberta (Ui, ela descobriu a roda!) , sobre o mito de ser “boa de cama”. Não existe ninguém bom de cama. O que existe são as nossas preferências nessa área, que precisam coincidir com as preferências d@ parceir@s. Tive poucos parceiros sexuais (com alguma vergonha que assumo isso rsrs), mas qual não foi minha surpresa ao descobri que… ahá! Nem todo homem quer uma mulher com perfil mais selvagem (não consegui encontrar uma palavra sem entrar no campo das classificações, sorry!). Existem aqueles que curtem um sexo mais novela, que não gostam de dizer palavrões, que não gostam de tapinhas e arranhões, e que mesmo que com seu consentimento, não te xingam. E ainda mais: Homem que não faz questão de sexo anal!

E daí, como um leitora dessas publicações femininas, que acredita piamente que só se conquista um homem na cama se trepar com ele no lustre lidaria com um homem que só quer fazer “amorzinho”? Daí é o cara que “não é bom de cama”? Não. Apenas tem preferências diferentes.

E para finalizar, as mil e duzentas dicas para alcançar o orgasmo. Fique bem claro, é o meu ponto de vista sobre ele e não estou negando o direito da mulher ao orgasmo. A maioria das publicações sobre sexo pregam que ele só será bem sucedido com o orgasmo. Eu vejo o orgasmo como consequência. Como o gran finale. E caso ele não aconteça via penetração, pode vir com um belíssimo sexo oral. Ou manual. Ou não vir. E não significa que não tive prazer. Afinal, o corpo é uma fonte inesgotável de maravilhosas sensações que deve ser explorado de todas as formas.

.

* Sueli Alves Cruz, biscate professora de Língua Portuguesa, sempre foi feminista e não sabia. Nunca teve paciência para esperar a iniciativa dos meninos. Depois de muito tempo, assumiu seus cabelos crespos, e quer morrer ao ouvir falar em tinturas e alisamentos. Enfim, hoje está em paz com seu corpo, depois de tanto tempo de cobrança… 

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"se acaso me quiseres, sou dessas mulheres que só dizem sim..."
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14 respostas para Tem sempre que gozar?

  1. sair dessas amarras e sacar o que o texto manja é quase uma iniciação.

  2. Isa Casalotti disse:

    Se gozar vem de gozo, que no dicionário está definido como prazer, acho que sim, tem que gozar sempre! Sexo e prazer são coisas inseparáveis na minha cabeça. Agora, é bem verdade que nem sempre o prazer que queremos é aquele que nos faz subir pelas paredes e gritar até os os cachorros da rua se incomodarem… concordo muito com a autora.
    Esses “manuais” me irritam profundamente.

  3. lucianafujii disse:

    Vou ser só um pouco do contra e dizer que acho que existe “mulher boa de cama”, porque pra mim existe “homem bom de cama” também. Só que não são as pessoas que lêm as dicas pra ser bom de cama, nem as que fazem contorcionismos e menos ainda as que imitam filme pornô, mas sim os que se sentem a vontade em fazer sexo, entendem o próprio prazer e estão atentos ao que os parceiros gostam também, pois sexo envolve 2 ou mais pessoas.

    Concordo que há muita falacão em volta do orgasmo feminino, o que leva mulheres até a fingir que tem orgasmo o que eu acho péssimo.

  4. Marília Moscou disse:

    Nussa, já eu vejo o orgasmo como algo que dá mais vontade de transar, na maioria das vezes… Esse negócio de gozar como grand finale pra mim não rola.

  5. mayroses disse:

    Gosto da proposta do texto de falar que não há obrigatoriedade de gozar para que o sexo seja bom. Também gosto da crítica que compartilho em relação aos manuais. No entanto, concordo com a lucianafujii sobre existir pessoas que são mesmo boas de camas pelo simples fato de gostarem muito do babado…rs….e não pq fazem acrobacias. No mais, também concordo com a Marília que o orgasmo não é exatamente o grand finale…até pq ele pode surgir várias vezes no meio da parada…rss…e também pode não surgir, mas é sempre uma busca e sempre uma vontade de mais e mais e mais….;)

  6. Sueli disse:

    Biscate Escrevente – Presente.

    Relendo o texto e já o escrevi há alguns meses, reescreveria esta parte da obrigatoriedade do orgasmo. Quando eu falo de obrigatoriedade do orgasmo, é no sentido que os manuais falam dele.
    Ontem quase não fiquei on line, por isso não mandei a bio à tempo rs.
    Mas que bom que vcs gostaram *_*

  7. Pingback: Facinha… Por Um Triz |

  8. Renata Lins disse:

    Acho que a grande questão do texto – com a qual eu concordo – é que o fundamental é se desprender dos padrões. Gostei dessa idéia de que não é todo homem que gosta de mulher que faz triplo mortal carpado e se pendura no lustre. Não é toda mulher que gosta de ser jogada na parede e chamada de lagartixa. Não é todo… ou toda… enfim.
    Porque eu vejo isso por aí também. Manuais, mas que são impositivos. Uma obrigação de se ver estrelas e de o final ser um orgasmo conjunto sideral. (e o pior é que muitas vezes é pra mostrar pro cara que você é uma deusa do sexo, o que não é a mesma coisa do que sentir prazer e gostar de sexo).
    Tudo ao contrário do aprender devagar, do cada um faz do seu jeito, do a primeira vez é só a primeira vez. Do desencana, vai lá e vê qual é.
    Gostei do texto. E acho que é isso que diz.
    Sei lá. Acho que aí a idéia de que o orgasmo não é obrigatório é bacana. Liberta. Desobriga. Simplifica. Facilita. E aí, rola! 🙂

  9. mah disse:

    aff, é bem isso mesmo!! Torço o nariz pra essas revistas “femininas e modernas” que insistem e te ensinar como agradar o homem com suas roupas, com suas atitudes e com seu corpo!! Báh!!!

  10. Layla disse:

    amei, meu marido é assim mais romântico e eu adoro viu…. rs
    a renata lins disse tudo que eu penso, e eu tb não gosto destas revistas, acho que a gente aprende na prática mesmo.
    beijos

  11. Vamos lá, Sucker disse:

    ei menina, deixe-me te dizer
    há dias de trepada
    há dias de fodinha

    e entre esses dias de meter
    há também os de chupada
    e uns só de punhetinha

    mas ainda assim me perguntas com ternura
    que é, ó céus, uma foda bem dada?
    de onde eu te digo, com a pica dura
    é nada mais que uma boceta melada

    não sendo ela com uma boa gozada
    que seja com trato de zelo e carinho
    (e não é porque hoje não comi o teu cú
    que amanhã deixarei ele quietinho)

  12. Pingback: POEMINHA « vamoslasucker

  13. Pingback: Boa de Cama |

  14. Joana disse:

    Adorei esse artigo. Eu acho que essa coisa de ser “boa de cama” é mais uma das inúmeras paranoias que vêm no pacote da “mulher moderna”: ser bonita, gostosa, inteligente, culta, antenada, bem-sucedida, independente, engajada, sexy e, obviamente, boa de cama.

    Tenho que confessar que esse perfeccionismo feminino vendido pelas revistas me cansa demais, e na minha humilde opinião isso já passou dos limites faz tempo. Por quem estamos sendo julgadas? A quem estamos tentando agradar? Acho maravilhoso tentar viver a vida na sua plenitude, explorar suas potencialidades e possibilidades, mas definitivamente essas não são as mesmas para todas as mulheres. Cada uma tem o seu caminho. Por que caímos sempre no lugar-comum?

    Graças a essa mania de perfeição, a impressão que eu tenho é que as pessoas têm um certo medo de parecerem “ignorantes” no sexo. Hoje em dia se fala em sexo de uma forma tão aberta e trivial que estar confortável com sexo virou uma obrigação. Não existe mais tempo para descobrir, para testar o que serve pra gente ou não. Você teve uma criação repressora e não deu aos 15 anos de idade como todas as suas coleguinhas do colégio? Se ferrou! Agora você já é uma senhora de 25, não dá mais tempo de ser virgem. Você acabou de terminar com o seu segundo namorado e está no mercado? Vá se preparando pra fazer deep throat e dar o cu como uma solteira que se preze, amiga! Aff…

    Infelizmente, acho que atualmente estamos vivendo o reverso da revolução sexual. Saímos da obrigação da ignorância para a obrigação da liberdade. Antigamente, escondíamos o sexo sob o pretexto de que era um assunto da intimidade que não deveria ser trazido a público. Hoje, fazemos do sexo algo tão público que às vezes esquecemos que ele é um momento de intimidade. Esquecemos que sexo é prazer, e não obrigação.

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