Estratégia Para Biscatear?

Tanto quanto o gênio ou a personalidade a formação determina o comportamento de cada um/a. Não se trata de caixas ou de modelos de comportamento, mas do jeito de cada um/a lidar, reagir no cotidiano. Esse jeito tem diversas origens, mas vou focar numa: formação política.

A minha influencia em tudo. Antes mesmo de me saber mulher ou biscate eu já tinha uma ideologia e já me sabia como ser político no mundo. E a minha ideologia, por mais que eu a negue (nego?) ou tente ao menos não ser mais adepta, tem uma grande influência de um russo chamado Lev Davidóvitch Bronstein, mais conhecido como Leon Trotsky. Sim, ele mesmo, o responsável pela má fama dos comunistas matarem criancinhas (que no imaginário popular acabou sendo aumentado para “comer” criancinhas — mas saibam, isso é mito) — foi dele a decisão de executar toda a família do Czar Nicolau III inclusive as crianças. Era estratégico para o êxito da Revolução Russa que não tivesse nenhum herdeiro da monarquia para reclamar o trono futuramente. Horrível do ponto de vista dos direitos humanos? É, sem dúvida. Mas inegável sua clareza estratégica no jogo político.

Todo trotskista tende não só a admirar essa que era uma das principais características de Trotsky mas também a desenvolver (ou pelo menos tentar) o raciocínio estratégico. Foi entre os trotskistas que aprendi a diferença entre tática e estratégica e não tenho dúvida que foi essa habilidade que permitia a Trotsky arriscar a futurologia, a fazer previsões sobre os próximos acontecimentos políticos. Longas reuniões discutindo e analisando conjuntura política é um hábito e uma lembrança dos meus tempos de troska.

Não tenho o dom da futurologia e nem gosto de pensar politicamente 24h por dia, de me dedicar a essas análises — nem milito mais organicamente em partido ou qualquer outra organização para precisar fazer isso — mas guardei alguns vícios, confesso. Sou estratégica em quase tudo a não ser na minha própria vida que é uma bagunça, mas em pequenas ações me pego fazendo cálculos, prevendo e antevendo reações e antecipando movimentos para surpreender.

É isso mesmo que vocês estão entendendo. Eu uso estratégia para biscatear. Algumas biscatagens dispensam esse esforço todo, são bacanas e legais, mas isso vai do grau libertário e cuca fresca do outro. Mas quando ainda não conheço tão bem assim a pessoa e nem confio ao ponto de não precisar antever reações e movimentos, eu praticamente armo um tabuleiro mental, planejo passos e já cheguei ao ponto de marcar horário para dizer ou fazer determinado movimento.

É isso, minha gente. Biscatagi organizada politicamente é outro departamento. Nem sempre funciona. Pessoas e relacionamentos não são nem matemática e nem política e, portanto — já respondendo a um questionamento que certamente deve estar pipocando neste momento –, nem sempre dão certo e nem saem como previ. Mas pensar algumas coisas estrategicamente é um vício que adquiri há muito tempo, lá na base da minha formação. Quando vi, já foi. É essa minha porção troska que por mais que tente arrancar de mim não sai.

Pronto, confessei.

Sobre Niara de Oliveira

ardida como pimenta com limão! marginal, chaaaaaaata, comunista, libertária, biscate feminista, amante do cinema, "meio intelectual meio de esquerda", xavante, mãe do Calvin, gaúcha de Satolep, avulsa no mundo.
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15 respostas para Estratégia Para Biscatear?

  1. RockinRosa disse:

    De Trotsky guardei o poder de acreditar em sonhos, e a crença de trabalhar para alcançá-los.
    Daqui, carregarei a noção de como isto se expandiu para os demais setores da minha vida.
    Do comunismo… Bem, isso é uma outra história, e eu não pretendo participar desta narrativa de novo.
    Belo post, imaginativo e ativo!

    • É verdade que a influência de Trotsky na minha vida vai além dessa noção estratégica para diversas coisas — onde inclui-se a biscatagi — , mas não fica bem para quem não se diz mais troska ficar repetindo isso. Rá!!!

  2. Rá! uma troska, peguem seus archotes groucho-marxistas!

  3. alexandre moreira disse:

    Que engraçado! É isto que chamam de M A N I P U L A D O R A ? em linguagem NÂO trotskYsta .:)

  4. Amanda disse:

    Quem nunca foi ser trosko na vida? 😉

  5. Pingback: O triângulo aponta o caminho |

  6. Pingback: Inventário de uma alma rebelde, de bisca |

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