No Escurinho

Hoje é dia de luta. Luta na rua, chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê. E, claro, fazendo, criticando e apreciando cultura. Biscatagi é cultura, Biscatagi é enfretamento e transformação. Ela se manifesta e transgride de acordo com a época e, com isso, ressignifica o seu próprio tempo. O cinema está cheinho de cenas inusitadamente biscates. Até em Love Story, pode acreditar, lá está a mocinha-água-com-açúcar-vou-morrer-te-amando dizendo ao belo rapaz que o convidou pra sair porque aprecia seu corpo. Assim, direta. Então, fui e vim, mexi, pintei e bordei uma lista de filmes pra biscate-amiga-cansada-de-guerra se deparar com grandes lutas, laivos de humor ou simplesmente um pequeno desvio no cotidiano rumo à felicidade. Personagens femininas que fazem e sabem pensar, sentir, refletir, contestar, gozar…

Dona Flor e seus Dois Maridos – quer coisa mais biscate que ter dois homens comendo na sua mão?

Que bom te ver viva – mulheres de luta, presas pela ditadura brasileira.

Ela e o Secretário – biscate, biscate, como lidar com uma chefe firme e não estereotipada.. e isso em 1942?  \o/

A Cor Púrpura – retrata o pesadelo que pode ser a vida de quem é à margem: preto, pobre, feio e mulher.

Tudo Bem no Ano que Vem – e daí que ela encontra com ele uma vez por ano, trepa, conversa, faz carinho e é acarinhada e mantém um casamento feliz, uma profissão bem sucedida, muda de idéia, faz e acontece. Olha, até hoje eu estou pra ver uma personagem que me inspire mais.

Mudança de Hábito – Ué, porque não? Cantora de boite, livre, resistente, amigável, animada. Uma mulher inteligente e interessante que leva a vida com ritmo.

Johnny Guitar – Porque ela é forte, decidida e sedutora. Porque diz, com tranquilidade, que cada prego e cada tijolo do seu estabelecimento foi um homem com quem ela trepou. E diz para o homem que ama, para que ele aprenda a lidar com isso.

Revolução em Dagenham – trata da história real de uma operária, mãe de família, que de repente se vê envolvida na luta por direitos trabalhistas e femininos. E isso em um passado recentíssimo, 1968, e que teve impacto significativo nas relações trabalhistas na Inglaterra e na vida das mulheres.

Eclipse Total – tem acusação injusta, tem luta de classes, tem mulher forte que luta contra a violência doméstica, tem relação mãe e filha, tem roteiro bem feito e uma atriz brilhante.

 Ann Vickers  – uma mulher que trepa antes de casar, faz um aborto, torna-se amante de um homem casado, tem um filho dele…e é tratada no filme não como indigna, mas como a protagonista a ser admirada).

Tem mais sugestão de filmes lá no Borboletas e no Blogueiras Feministas e, de quebra, um papo sobre Leila Diniz.

E, claro, não deixem de ver REDS nem de ler o post delícia da Niara com a cena mais biscate do cinema.

Sobre Borboletas nos Olhos

É melhor morrer de vodka do que morrer de tédio, disse Maiakovski. Brindo a isso enquanto acontecem-me coisas surreais. Segue o meu perfil quando me vejo assim: cara a cara comigo mesmo. Ou seja, meio de lado. Um mosaico com rachaduras evidentes. Nostálgica, mas disfarço com o riso fácil. Leio de tudo e com desespero. Escrevo sem vírgulas, pontos ou educação. Dou um boi pra não entrar em uma briga, o resto já se sabe. Considero importantíssimo saber rir de mim mesma. Nem que seja pra me juntar ao grupo. Certa da solidão, fui me acostumando a ser boa companhia. Às vezes faço de conta que sou completa, geralmente com uma taça na mão. Bebo cerveja, bebo vinho e, depois das músicas italianas, bebo sonhos. Holanda, por parte de mãe e de Chico. John Wayne, por parte de pai. Borboleta e Graúna por escolha e história. Tenho uma sacola de viagem permanente no meu juízo e a alma, de tão cigana, não para em palavra nenhuma. Gostaria de escolher meus defeitos, mas não dando certo isso, continuo teimosa. Não sei usar a nova regra ortográfica. Nem a velha, talvez. Amo desvairadamente. E tento comer devagar. Sei lá, pra compensar, talvez. Tem gente que tem a cabeça no mundo da lua. Eu não. Quando vou lá, vou toda. Sou questionadora, mas aceito qualquer resposta. Aspecto físico? Língua afiada e olhos cor de saudade. Gosto de fazer o que eu gosto. No mais, preguiçosa. Sabia o que é culpa, mas esqueci. Nada mais a dizer, prefiro andar de mãos dadas. E dormir acompanhada. Mas, bom, bom mesmo é sal, se você já leu Verissimo.
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