Moralismo não escolhe bandeira política

*Texto a Quatro Mãos: Marília e Luciana

Eu gosto de sexo. Do meu jeito. Com minhas fantasias. Você gosta de sexo. Do seu jeito. Com as suas fantasias. E daí? Cada um com seu feitiche, cantaria o rapaz do quadrado. Dizemos nós: deixem as pessoas com seus fetiches. Deixem as pessoas com seu tesão. Mas não. Tem gente que passa um tempo se dedicando a chafurdar no tesão alheio. A revirá-lo, descrevê-lo e, principalmente, reprimi-lo. Qualquer maneira de amar vale a pena, cantava Milton e ele queria dizer: trepar. Alguns “fetiches” de algumas “pessoas” em determinadas circunstâncias, são aceitáveis. Outros “fetiches” são considerados nocivos e perigosos, ofensivos a alguma coisa que eles defendem. É preciso que todo mundo se enquadre e não é difícil imaginar um conservador severo e uma matrona repressora bradando contra bondage ou sexo oral, que, afinal, contrariam a noção de “Família” que tão arduamente eles sustentam (para que a mesma sustente a sociedade que lhes garantem privilégios).

A surpresa aparece (ou ainda, o desconforto) ao vermos exatamente o mesmo tipo de discurso moralista e que desqualifica o tesão alheio nas bocas feministas, socialistas, comunistas e de todo espectro de intelectuais de esquerda que, a princípio, colocam-se contra a ordem estabelecida na sociedade. Pois vai aí nossa contribuição: proibir práticas sexuais consensuais não é nada contestador do status quo.

Contos eróticos, fetiches, BDSM, o que for. O fetiche, o prazer, o caminho é de quem o escolhe. Querer regulamentar o tesão das pessoas é muito perigoso. Porque para legislar sobre o corpo e o desejo do outro é preciso um princípio ofensivo: supor que se sabe mais do que ele sobre o que lhe fará satisfeito. A lógica parece ser: o que não me agrada, as práticas que não me dão prazer ou que confrontam minha lógica, só podem ser perigosas e ilegítimas. E assim vamos desrespeitando a diversidade e criando caixas para enquadrar o outro (e, mais especialmente, a outra).

O tesão fica ali, naquela zona complicada de discutir entre cultura, vontade individual e subjetividade consciente e inconsciente. Podemos não compreender o tesão de alguém. Ele não precisa ser o nosso. Nem é mais libertário quem tem mais “folha corrida”. Mas, com certeza, é menos quem regula e vigia a “folha” do outro.

Alguns temem o fetiche como se ele, de alguma forma, corrompesse ou contaminasse a sexualidade normal. Mas não há normal na sexualidade (oi, Freud, Luciana te ama, beijos). Teme-se o fetiche como se o que ocorresse no campo da fantasia fosse um ponto na escala em direção a um nebuloso futuro de perversão. Fetiche é uma forma de organizar o desejo. O fetiche canaliza e viabiliza a fantasia. É próprio como a escolha do sabor do sorvete. Não sabemos dizer exatamente porque gostamos tanto de sorvete de graviola (embora tenhamos vaga lembrança de um passeio com a mãe, ou uma visita ao sítio, ou simplesmente a forma gelada como aquele sabor desliza na língua) mas é ele que nos faz, naquele pequeno momento em que andamos na rua com a casquinha na mão e brilho nos olhos, tão plenos.

E porque negar o prazer ao outrem senão como estratégia política de submissão de corpos e mentes a um modelo social limitante? Nós, aqui, vamos apostando que o fetiche deve ser respeitado. Nenhum ismo – especialmente os que reinvindicam um papel transformador – pode querer regular, para mulheres e homens, o que lhes dá prazer. Porque vai continuar dando. Mesmo que seja proibido. Mesmo que seja reprimido. A nossa luta precisa ser outra: por um mundo com mais prazer e menos dedos apontados em censura. Até, porque, vendo esse dedo em riste, dá logo pra ter uma ou duas boas idéias, não é?

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"se acaso me quiseres, sou dessas mulheres que só dizem sim..."
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31 respostas para Moralismo não escolhe bandeira política

  1. Gilson disse:

    Eu gosto de sexo de qualquer jeito, até do jeito que eu não gosto, o moralismo limitante militante e carola rompe fronteiras ideológicas pq quem quer mudar o mundo no fundo não quer mudar nada.

  2. Iara disse:

    Como comentado no FB, acho que tesão pode ser debatido. Tesão também é construto cultural, não nasce por geração espontânea, portanto pode ser sim objeto de análise. Mas não acho que possa ser julgado, porque é algo, sobretudo, íntimo. Os porquês podem ter origens muito diferentes pra fulana e sicrana, por isso por mais que a gente associe gostar de ser amarrada a um desejo de submissão, isso, tem um significado completamente diferente pra cada pessoa, de acordo com a vivência dela na cama e fora dela. Não há resposta padrão. Daí se a gente caga a regra de que não pode gostar de ser amarrada e levar tapinha a gente tá querendo exercer autoridade sobre o tesão alheio. Faz sentido?

  3. fabeauvoirana disse:

    Então…Já eu acho super problemático este discurso digamos, “ultraliberal” em prol da individualidade, hoje aliás muito utilizado por aí para reprimir determinadas manifestações coletivas (o caso Rafinha Bastos é exemplar)…Como alguém disse acima, o tesão e as práticas sexuais devem ser discutidos sim (que não significa reprimido), pois nenhuma individualidade se coloca acima das normas e padrões culturais. Claro, entra nisso tudo condicionamentos individuais, a biografia, mas concordo com a Joan Scott e com o Benjamin quando falam sobre os niveis de experiência, onde o individual é forjado através de uma coletividade, de um certo “espirito” da época.
    Até entendo quando se opina contra regular a sexualidade, mas…toda sexualidade não é regulada, seja aqui ou na China? Acho sim que com isso o feminismo dá um tiro no pé ao se recusar colocar em discussão temas como pornografia ou o tesão em favor dessa sacrossanta (e tão na moda) individualidade

    • Luciana disse:

      Também acho que tesão é pra ser debatido. Tanto acho que tá aqui o texto, presença material do diálogo meu com a marília, da marília com ela mesma, meu comigo mesma, da gente com um tantão de oturas pessoas e situações. Não vi como o texto pode ser articulado com a situação Rafinha Bastos. Dizer que o tesão é vivido de forma individual mas construído na interface com o social e cultural não é assinar o discurso ultraliberal, é não ignorar as contruções teóricas significativas da psicanálise, do materialismo dialético, etc. Nenhuma individualidade de coloca acima da sua época, também essa era a idéia de Vigotsky. Assim, lhe volto a questão, porque a época repudia o que é seu, ou seja, as manifestações individuais forjadas neste e por este contexto? Não há, nesse processo, algo além da moralidade? Ou, ainda, nessa moralidade e padrão de conduta, um objetivo além que é também político e mantenedor?

      • fabeauvoirana disse:

        Bem, posso ter me antecipado em algumas coisas e ter colocado umas implicâncias na frente dos burros…
        O caso do Rafinha Bastos é meio que emblemático para mim porque ele mostra um embate entre aqueles que acham que fazer piadas sobre mulheres estupradas ou amamentação “é só uma piada”, e deve ser visto de forma despolitizada, ao nivel da livre expressão e do senso de humor…E de outro lado, aqueles, nós, feministas achando que aquilo era uma ofensa ao nivel coletivo sim…Esse tipo de embate para mim, tem sido muito comum em outras instâncias também, como por exemplo dentro do próprio feminismo entre aqueles que são contra a pornografia, devido a todas as implicações sócio-culturais daquilo e os que são a favor em nome do livre-arbitrio de cada um…Não sei se estou sendo clara, ou trocando os pés pelas mãos, mas é mais ou menos isso que entendo desse debate sobre prazer e tesão, entende?
        Tentando ser mais clara, nada contra, mas me parece que o post de vocês não necessariamente ignora a dimensão cultural, mas por outro lado enaltece demais as manifestações individuais, quando na minha modesta opinião, eu acho que tudo, absolutamente tudo está fortemente ancorado na primeira dimensão. Eu discordo que as manifestações individuais estejam sendo ignoradas na maioria dos discursos; senão, não teria feito esta crítica. Acho sim, ao contrário, que atualmente, em um sem número de críticas e teorias sociais tem existido uma forte tendência de se ignorar a força de toda uma pedagogia cultural em nome de um discurso individualista, plastico e meritocrático que este sim, acho problemático e falacioso.
        Posso ter entendido errado, mas para mim não ficou claro o que para vcs significa “regulamentar” o tesão alheio…É o que? Julgar individualmente como feminista? Estudar as práticas sexuais e interpretá-las a luz da antropologia, da sociologia e da filosofia? …Uai, na real acho que tanto um como outro fazem isso, pelo menos na visão do Foucault, né? Então tudo deve ficar as escuras? …Sério, estou em dúvida.
        abs.

        • Quando falamos em regulamentar, estamos falando literalmente em regulamentar: proibir certas práticas. Nos EUA há estados em que o sexo oral era proibido até bem pouco tempo atrás, pra dar um exemplo esdrúxulo… Não estamos falando em regulação social, em como toda prática é também cultural (e a própria ideia de indivíduo idem). Estamos falando em regulamentar. Cagar regra. Dizer “isso pode”, “isso não pode”. Nós queremos um mundo onde possa TUDO – se for consentido.

        • Luciana disse:

          Eu sou super a favor de qualquer investigação, estudo, discussão, debate a nível macro. E muito a favor de relações sociais que promovam o respeito mútuo e a gentileza. Absolutamente contra disciplinar e avaliar individualmente.

          No mais, não posso me responsabilizar pelos demais discursos, inclusive pelo do Rafinha Bastos. Respondo pelo meu, que é esse aí. Nesse meu discurso tem – ou tenta ter – a aceitação ao outro como sujeito e questionamento das formas de relação e suas implicações.

          • Lembrando ainda que, pelo menos como eu penso, o problema não é fazer piada sobre estupro. É QUAL piada de faz e COMO. No caso, a piada de estupro do Rafinha é sim, bem conservadora e, eu diria, moralista.

  4. fabeauvoirana disse:

    Em tempo: quando digo que sou contra o discurso liberal da individualidade, quero dizer que sou acima de tudo contra o fato deste discurso ser muito usado ultimamente para desqualificar as coisas como sendo “moralistas”. E isso é perigoso. Ora, investigar os construtos culturais que regulam o tesão ou se colocar contra determinadas praticas que podem incitar a violência contra as mulheres não é nem de longe ser moralista. Tá legal, o sexo é individual, passa por condicionantes psiquicos, mas isso não me tira o direito de me revoltar / julgar contra o cara que é pedófilo (e eu fico em duvida mesmo sobre esta classificação da pedofilia ser uma parafilia, quando no entanto, a própria midia incita determinados condicionantes). Da mesma maneira, acho muito ingênuo o argumento de que o cara que curte cena de estupros ou mesmo de fantasiar estupro com suas parceiras dista muito da realidade (sentir tesão não é praticar o ato necessariamente). Claro, não somos robôs condicionados pela industria cultural, mas daí desqualificar tudo argumentando-se em favor da “fantasia” acho um pouco ingenuo e perigoso demais.

    • O problema é determinar que práticas “que incitam a violência” são essas. Penso que a única prática que incita à violência é o não-respeito ao consenso. Mesmo a violência, se for consensual, não incita a violência.

      • fabeauvoirana disse:

        Consenso entre as partes envolvidas … Concordo em partes. Pode me chamar de moralista ou jurássica, mas sei lá, acho que mesmo quando uma das partes age individualmente, porém corroborando com a dominação masculina, está de certa forma reproduzindo este esquema e assim, a violência, entende? Por exemplo, tenho problemas em achar tranquilinho o trabalho da atriz pornô. Que ela pode gostar do que faz, ou trabalhar na industria porno como escolha individual, é ok. Ninguém a força e ela está agindo livremente. Massss, como já diziam nossas avós lá na década de 80, o pessoal é político, né? Ela é livre para fazer o que quiser, mas está em outro nivel reproduzindo culturalmente o mesmo esquema que nos torna objetificadas aos olhos do outro masculino.

        • O problema, fa, é que as práticas que não reproduzem o esquema simbólico dominante TAMPOUCO são totalmente “livres”. Nunca nenhuma prática é puramente “livre”. Esse discurso é muito utilizado para desqualificar práticas que achamos que vão “contra” aquilo que acreditamos. A prática profissional de uma atriz pornô não vai necessariamente “contra” ideais feministas. Porque ela seria “menos livre” ou “menos consciente” do que a prática profissional de um sociólogo, por exemplo? Por que “prostituta não pode” mas “empregada doméstica pode”, por exemplo? Aí mora o moralismo: é só ter sexo no meio que as pessoas se arrepiam…

          • fabeauvoirana disse:

            Então, obviamente não me oponho a industria pornô por questões moralistas ou religiosas…Não quero que a pornografia seja banida da face da Terra. Mas acho que as pessoas deveriam refletir sobre a pornografia que consomem e no caso que eu citei, no esquema que estão reproduzindo de modo geral. Me oponho sim ao caráter misógino de boa parte das produções pornôs e me incomoda saber que grande parte dos meninos aprendem a fazer sexo dessa forma. A questão, Marília, não é ter sexo no meio de tudo que as pessoas se arrepiam, mas simplesmente o fato de que no mainstream do porno ou na prostituição, o que está sendo reproduzido é o fato da mulher ser definida como objeto através de sua sexualidade e não como sujeito de seus desejos. Isso me incomoda, e obviamente, acho sim que indiretamente isso é um desserviço aos “ideais feministas”. Mas, enfim, sei que isso tudo é o óbvio ululante e dá pano para manga em outros posts e discussões e não quero fugir do assunto.

    • Luciana disse:

      Continuando a conversa, um texto é sempre um recorte do pensamento. Não dá pra em um post apenas abordar todos os lados da questão. Em nenhum momento, acho, desqualificamos as influências da história de vida do sujeito na construção da sua subjetividade (história de vida aqui incluindo aspectos mais individuais e outros estruturantes sociais). Se o cara abusar de uma criança, ele deve ser preso. Se ele desejar a criança e se masturbar na casa dele sozinho ou se arrumar uma parceira adulta que se depile toda e tenha prazer na fantasia, eu, nem você, nem a sociedade tem nada com isso. Se o cara estuprar uma mulher, deve ser preso. Se ele fantasia isso e vive a fantasia com uma parceira/parceiro, que autoridade moral mesmo se tem pra dizer que é errado? Não existem estudos nem teorias que indicam que fantasiar leva necessariamente ao abuso em si.

  5. Luka disse:

    Olha, eu acho um tema interessante de se debater, confesso que ainda me pego com as calças na mão quando encontro um militante comunista ou feminista, homem ou mulher que seja moralista, não converge com o que eu defendo de construção de nova moral, nova sociedade e afins.

    Eu concordo com a Iara sobre a questão de tesão ser construção social e cultural também e que pode ser debatido, mas julgá-lo por não se adequar a um comportamento x ou y é equivocado e para mim não corresponde ao comprometimento para construção de uma sociedade socialista, acaba se levando para o conservar que não pensa formas de se relacionar que não sejam ligadas a propriedade privada, e como pensar em revolução se a propriedade privada dos relacionamentos não forem pro beléleu também?

  6. Gente, que discussão interessante! Acredito que a questão central do post está na crítica ao desejo dos outros. O que é aceitável ou não? As revistas femininas estão o tempo todo determinando o que devemos fazer, como e onde. A moda é sexo oral? E tome leite condensado, chantilly, chocolate entre outras guloseimas para fazer as moças encararem o bruto com vontade. É pole dance? E tome técnicas, especialistas, dicas, roupas etc. Acho que esse é o problema da massificação do desejo, eu nunca entendi muito bem a ideia de que TODO mundo tem que ter a mesma tara (tipo roupas de couro, pênis enorme etc). Eu gostei muito do texto exatamente porque ele fala da liberdade que precisamos ter para colocar em prática os nossos desejos sem culpa (mesmo que a maldita culpa faça parte da nosso constructor sexual). Especificamente, já me vi diante de um questionamento bem interessante: é uma atitude contraditória ser feminista e gostar de sexo mais pesado com direito aos pronomes que nos desqualificam (piranha, puta, cachorra etc)? Parece a velha questão “feminista não dá de quatro”. Eu dou. E muito! 🙂

  7. Letícia disse:

    Bom, o discurso de pode-isso-não-pode-aquilo me incomoda demais. Desde que comecei o meu blog ouvi de muitas pessoas que meu comportamento da variedade sexual era inapropriado. Ok, isso nós sabemos que viria, mas esse discurso veio também de quem se diz feminista.

    Para essas pessoas, eu estava servindo como objeto para os homens (oi? alguém tem noção de que eu sinto prazer durante a transa?). Fiquei surpresa. Mas daí vi que também falavam de certas posições (de quatro ou o sexo oral, por exemplo), de fetiches (submissão, lógico)…

    Concordo que a questão deve ser debatida, mas não para impor regras, mas sim para que seja encarada com naturalidade, para que não seja feito às escondidas. Pelos relatos que recebo, muita gente tem vontade de fazer um zilhão de coisas, mas se sentem culpadas por fazerem ou desejarem aquilo que é “diferente”.

    Sobre uma possível dominação de gênero no sexo, devo dizer que a primeira coisa que deve ser discutida (e incutida na cabeça de alguns) é que a mulher PODE e DEVE sentir prazer no ato sexual. Ela não imagina que isso é possível nem no papai-e-mamãe, imagine no resto.

    Beijos.

    • A Letícia tocou numa questão central dessa discussão, as feministas. Aquelas mulheres que teoricamente lutam pela liberdade de todas as demais e que, de repente, se sentem no direito de dizer o que pode e o que não. Nada mais contraditório e absurdo. Felizmente não são todas, mas já me deparei com cada absurdo…
      Desde o início do post se fala em “práticas sexuais consensuais”. Podemos discutir que algumas mulheres se submetem ao prazer do outro e “topam qualquer coisa” para não parecerem caretas e não sentem prazer nenhum nisso? Podemos. Mas isso não quer dizer que trepar de quatro ou sexo anal , por exemplo, significam submissão. Conheço zilhões de mulheres que gostam de trepar de quatro, de chupar ajoelhadas e sentem prazer em até otras cositas mas como tomar uns tapas, serem xingadas e por aí vai. Quem é que pode determinar para o outro o que lhe dá prazer? Quem é que tem o direito de dizer que isso pode ou não pode?
      Sou feminista e isso significa dizer que sou dona do meu corpo, vontade e prazer. Não admito que ninguém — homens, sociedade ou mesmo outras feministas –determine ou normatize minha sexualidade.
      Tenho sérias desconfianças sobre quem se preocupa demais com o tesão alheio. Certamente se trepassem e gozassem mais não teriam tanto tempo para se preocupar com os fiofós alheios.

  8. Tesão não se explica, se sente.
    Quando oficializarmos taxonomia instituida ao sexo será o fim dos tempos.
    Tenho meus próprios quereres e estes são bem meus e a cada um é dada a riqueza de reconhecer prazer em seu corpo e a mais ninguém é permitido orientar pontos mágicos, permitir posições, tolher frases ou seja lá o que for em nome de um suposto bem comum ou ajustes culturais. É bem isso: se a minha forma de liberar a libido incomoda o seu pensar, saia de perto ou não pense!
    Compreender que o meu tesão (e a realização desse ou aquele desejo) não machuca ninguém, torna qualquer forma de amor válida.
    Que lei há de setenciar inválido (ou proibido) a garota raspar a lingua no meu rabo na hora que me masturbar, ajoelhada próximo à cama? Se eu quiser e ela também, tá valendo! Isso também poderia ser enquadrado nas posições/atitudes de submissão masculina? Acaso me torno menos homem por me permitir ativar zonas erógenas imaculadas pela culpa católica ou um suposto machismo que mais me parece insegurança?
    Repito o que foi dito acima: Trepem mais e me deixem em paz! (taí um ótimo nome pra bloco de carnaval em Olinda!)

    Parabéns a todas vocês por este interessantíssimo debate. Na metade dos comentários eu bem me acomodei na cadeira e acendi um cigarro.
    Tá uma delícia isso aqui.

  9. Rafaela disse:

    Os comentários da Letícia e do Matheus me fizeram recordar de um questionamento que tenho como respondido na minha mente: mas por que diabos algumas posições sexuais (como ficar de 4 para mulheres e o “temido” fio-terra para os machões) têm que SEMPRE ser vistas como atos de submissão ultra-humilhantes?
    Coisa mais chata!
    Já está na hora de desconstruirem essa ideia de superioridade e inferioridade no sexo, ou então ainda teremos que ver/escutar frases de naipe machista que uma vez ouvi proferidas da boca do “filósofo do buteco do Zé”, Mr. Catra, de que os homens não podem ser comparados a seres que “dão” de quatro, ou seja, eles não podem ser igualados com mulheres.
    Com relação aos patrulheiros de cu/xota/pinto dos outros nem gasto mais energia com eles, pois esses fiscais da sexualidade alheia ultimamente estão me dando (ai, ai, ai, ui, ui!) preguiça demais, sabe?

  10. marcio ramos disse:

    Achei que tudo isso estivesse superado… mas não está pelo visto. Onde eu andei estes anos todos?

    Eu adoro embarcar no fetiche das outras e quando eu não curto por algum motivo dou um pare ai… e seguimos. As vezes ja me peguei rindo com ela depois de alguma coisa não ter saído como o previsto, principalmente em começo de relacionamento quando os nosso fetiches precisam ate certo ponto de se acertar, mas sem surpresa e criatividade nada vai muito longe, pelo menos comigo e se ficar muito “certinho” começa a dar errado. Cada um tem um tesão e um sexo e uma sexualidade que é unica me parece e a magia é que podemos com isso interagir com milhões de outros sexos, sexualidades e tesões, no mais gozar é um santo remédio para o corpo e como eu não acredito em alma fico só no corpo. Saúde!

    Vida longa para que possamos descobrir e nos deleitar com novas posturas e desmascarar as imposturas.

    • Márcio, delícia de comentário (e, aposto, delícia de experiência).
      Criatividade, disponibilidade e senso de humor, uma combinação explosivamente atraente.

      Beijinho, comente sempre, o clube agradece!

  11. Pingback: Quiz Biscate |

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