Biscatagi, subversão e rock and roll: Joan Jett

Pensem vocês que, em meados da década de 70, em meio a grandes mudanças que aconteciam no mundo em relação aos papéis dos gêneros, ainda eram poucas as garotas que “atreviam-se” a fazer do rock and roll – sinônimo de subversão e de rebeldia na época –  o seu ganha pão. Tínhamos Janis e sua incomparável voz, Patti Smith e a força de suas canções. Mas uma banda exclusivamente feminina ainda era demais para um meio (mais um) que os homens estavam acostumados a dominar. Ainda mais por um grupo de garotas  que bradava por igualdade, liberdade e autonomia em suas músicas.

Joan Jett foi uma das fundadoras do The Runaways em 1975, a primeira e uma das mais notáveis bandas femininas  que já existiram. Fizeram muito sucesso e lotaram shows ao redor do planeta. Mas infelizmente, após alguns desentendimentos entre as integrantes, a banda chegou ao fim em 1979 e Joan decidiu seguir adiante com sua carreira. O que ela talvez não imaginava é que essa seria uma caminhada bem árdua. Não, acho que ela imaginava sim e por isso seguiu em frente. Essa mulher por acaso tem cara de quem recusa um bom desafio?

Nada mais nada menos do que 23 gravadoras recusaram o seu trabalho. Então, Joan resolveu lançar o seu som criando um selo próprio, o Blackheart Records. Em sua nova banda, Joan Jett and The Blackhearts, atingiu o topo das paradas musicais mundiais com o hit I Love Rock and Roll, que se tornou um clássico do rock nos dias de hoje.

Joan continua na ativa, aos 54 anos de idade. Faz e muito bem aquilo que gosta e nunca deu muita bola quando disseram a ela que não podia. Que não iria conseguir. Não se importou quando tentaram fazer com que acreditasse que sua música era ruim. Compõe, canta e toca com muito amor no coração e com um brilho especial nos olhos. Transmite uma mensagem que empodera, que ajuda a perceber-se livre. E principalmente: provou e prova que as mulheres, se quiserem, podem viver de rock and roll também como estrelas, não apenas na “tietagem”.

Eu não esperaria outra coisa de uma mulher que diz, em uma de suas músicas mais conhecidas, que não se importa com a sua “má” reputação. Que todos vivem no passado e que mesmo que ela se importasse, não iria mudar nada do que pensam. E que uma garota pode fazer o que quiser. Tem pensamento mais biscate do que esse?

Sobre Cláudia Gavenas

Paulistana, 26. Designer, gateira, feminista e musical. Meio perdida na vida, mas não tem certeza se realmente quer se encontrar...
Esse post foi publicado em biscatagi, biscatagi é cultura, memória biscate, uma biscate quer e marcado , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s