Manteiga, gel ou vaselina? Vontade!

Para a receita de hoje separe muita manteiga (sem sal), gel à base d’água, vaselina ou outro ingrediente da sua preferência. Só não invente muito, lembre-se que no dia seguinte você precisará sentar.

Até que Norma Lúcia me ensinou uma coisa. Não. Duas coisas. Não. Três coisas. Primeira coisa: no começo, na iniciação, por assim dizer, tem que ser de quatro, requisito absoluto para a grande maioria. Segunda coisa: tem que dizer a ele que venha devagar. Ou, melhor ainda, dizer a ele que espere a gente ir chegando de ré devagar, sempre devagar. Terceira e mais importante de todas: relaxar, relaxar, mas relaxar de verdade, soltar os músculos, esperar de braços abertos, digamos. É um milagre. Foi um milagre, na primeira vez em que eu segui essa orientação simples. Daí para gozar analmente – não sei nem se é gozo propriamente anal, só sei que é um gozo intensíssimo – foi só mais um pouco de vivência, with a little help from my friends, haha.
….
Depois que aprendi, naturalmente que tive de procurar esse namorado meu – esqueci o nome dele agora, Eusébio, qualquer coisa por aí – e dar a bunda a ele, não podia morrer sem fazer isso. Dei numa festa de aniversário da então namorada dele, num sítio onde é hoje Lauro de Freitas, eu também era levadinha.

Este trecho de A Casa dos Budas Ditosos, do João Ubaldo  Ribeiro, devia ser de leitura obrigatória. Tipo, educação sexual, mesmo.

Como “dar” o cu. Ou como comer um cu.  Sim, é cu mesmo. Não vamos usar eufemismos. Cuzinho, de forma carinhosa e dando a deixa para trocadilhos infames.

Quase todo homem gosta, e insiste muito, e quase toda mulher diz que não gosta, pelo menos socialmente, e não dá (será?). Então, você amiga biscate que ainda não deu e pensa em experimentar ou para você amigo leitor querendo ser comedor de cu, fique atento às dicas. Porque vídeo “ai, que susto” só faz rir e não foca no principal… Vontade!

Então, a receita biscate de hoje:

Marlon Brando e Maria Schneider na famosa cena da “manteiga” (sexo anal não-consensual), no filme Último Tango em Paris de Bernardo Bertolucci

Excitação. Tesão. Vontade.

Essenciais. Sem isso, nem pense! Homem para comer um cuzinho tem que deixar a dona (vou falar de um ponto de vista de mulher, certo?) dele com vontade de dar. Louca, alucinada, tremendo. Com tanta tesão que perde o pudor e manda a porra do controle social que diz que não pode, não deve, pras cucuias.  Com tanta vontade que até oferece, mesmo que sem palavras. E aí, é preciso um bom entendedor.

Não é chegar metendo, jamais! Nem mesmo com o dedo. Se for bruto, sem aviso, sem preparo, não é sexo, né, gente, é violência, poxa.

Relaxar é importante, também é requisito. Não ter medo nem nojo.

Sugiro, no entanto, que ao invés de começar de quatro, comece de bruços, com um travesseiro apoiando o ventre ou de lado, na posição de “conchinha” ou “colherzinha”. Se for começar já de quatro, que seja apoiada em um banco, ou no encosto do sofá, ou de joelhos no chão, apoiada na cama, ou… tá, já vi que entenderam o espírito da coisa.

Lubrificação. A natural, da mulher bem excitada, pode não ser suficiente. Um bom lubrificante é necessário e deixa tudo mais gostoso. Só não invente muito. Na dúvida, o bom gel à base d’água.

A penetração tem que ser devagar, bem devagar, nossa, bem devagar mesmo… ai.
Dói? Dói, um pouquinho, uma dor fininha, macia, se é que isso se aplica. Mas acho que você sabe que se aplica…

Colocar as duas mãos, abrindo as polpas da bunda, porque enrabar e ser enrabada por um pau é uma arte. Sentir o peso de um corpo quente, pressionando meu corpo contra o colchão, mãos que se juntam às minhas em carícias, a respiração ofegante no meu ouvido, meus gemidos abafados pelo travesseiro…

Finalizando a receita: dar é conceder. Não é obrigatório. Não é obrigação gostar, e nem mesmo tentar, especialmente se você não tem a menor vontade, e vai “tentar” só para agradar alguém. (Só digo que, bem, experimentar novas possibilidades pode ser incrivelmente gostoso…)

*música tema: Rita Lee – Lança Perfume “me deixa de quatro no ato, me enche de amor…”

A Bunda, que Engraçada

A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica
Não lhe importa o que vai pela frente do corpo.
A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora – murmura a bunda – esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.
A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.
A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.
Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda, redunda

(Carlos Drummond de Andrade)

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(dicas mais práticas, visite o blog da Leticia Fernandez, neste post específico)

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Post de UTILIDADE PÚBLICA, de autoria coletiva do BSC.

Sobre biscatesocialclub

"se acaso me quiseres, sou dessas mulheres que só dizem sim..."
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6 respostas para Manteiga, gel ou vaselina? Vontade!

  1. sandro disse:

    Bom texto, muito bom! Realmente é uma arte! Exige paciência, entrega, lubrificante e o resultado pode ser muito compensador..rsrs!
    Abraços e beijo!

  2. Adoro esse livro.
    Esse trecho é quase um guia, mesmo.
    E o texto ficou muito bom!

  3. Tatiana disse:

    Agora tem-se de escrever como comer gostoso um cu, na versão instruções para os homens. Acho que darmos as nossas ofereceria uma perspectiva mais precisa para os iniciantes – o que pode ser muito enriquecedor para todos, no fim das contas.

  4. Pingback: Uma Receita Para o Amor |

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