Biscate à moda da casa

A receita de hoje é sobre roupa. Não há uma mulher que ao se arrumar e antes de sair da casa não tenha ouvido: “cadê a parte de baixo da saia?” ou “onde venderam esse top tinha blusa inteira?“, “tens certeza que vais sair assim?” e nas entrelinhas de todas essas perguntas “essa roupa está vulgar demais”. Ou seja, se sair assim será “confundida” com uma biscate. Oi?

O objetivo dos avisos e prevenções sobre a forma como nos vestimos é sempre sobre parecer vulgar. A pergunta é: Por que não pode parecer vulgar? Qual o problema em ser vulgar? Quem determina o que é ser vulgar na forma de vestir, maquiar, se portar?

Na década de 50 além dos manuais de bem vestir para moças, existiam receitas de como “prender seu marido” que muito se parecem com o que originou a nossa revolta e o surgimento desse clube virtual. O nosso comportamento, vestir e jeito de ser em função dos homens e do que eles vão pensar e do julgamento que farão. Oi²?

“Tome Nota” — acrílico sobre tela de 2005 de Mirelle Brant e texto de Florão Brasiliense de 1950 no álbum “Nossa Lua de Mel” (clique na imagem para ampliar)

Esses manuais antigos de como uma “moça direita” deveria se vestir se parecem muito com a “fórmula de elegância” ditada pela bispa Helena Tannure em congressos país afora. Não estou incentivando nenhum preconceito com relação à crença de ninguém, mas estou farta de manuais de como devemos nos vestir, portar, comer, rir, trepar… Ops! Mulheres nesses receituários não trepam. Só biscate trepa.

Então, a receita de hoje sobre o vestir é: saia como se sentir melhor, confortável apenas com você, seus pensamentos e intenções. Se achar que aquele decote mais ousado vai fazer aquele moço que te interessa olhar para você, use e abuse dele — do decote e do moço. Se a saia que está usando no seu trabalho é adequada para o ambiente de trabalho e na hora de sair para o chopinho no final da tarde achar que deve subí-la um pouquinho mais, suba. As pernas são suas e você mostra para quem achar que deve.

Os homens só entenderão que o corpo é nosso e que as roupas que usamos não são um convite ou sinal verde para qualquer um quando todas pensarmos apenas em nós mesmas quando nos vestirmos.

E parafraseando a bispa que aconselha o uso de anáguas para completar o comprimento das saias ou para não marcar a lingerie de baixo: Se a tua roupa foi decidida pelos outros, ela não está a altura da biscate que você é. Ouse ser você mesma, do comprimento e transparência à combinação de cores e estampas.

Nada mais elegante do que ser autêntica.

Nada mais mulher do que ser biscate, e vice-versa!

Sobre Niara de Oliveira

ardida como pimenta com limão! marginal, chaaaaaaata, comunista, libertária, biscate feminista, amante do cinema, "meio intelectual meio de esquerda", xavante, mãe do Calvin, gaúcha de Satolep, avulsa no mundo.
Esse post foi publicado em desejos de biscate, receita biscate, uma biscate quer e marcado , , , , , , . Guardar link permanente.

10 respostas para Biscate à moda da casa

  1. Mulher minha nunca sai.. ops, não existe mulher minha,né? foi mal!

    Irmã minha.. ops de novo, a irmã não é minha, é dela mesma.

    Então eu quero é que todo mundo veja tudo de todo mundo se todo mundo deixar e sigamos em frente. Não existe nada mais gostoso que um bom decote, seja ele na parceira ou não. E parceria boa é quando ambos curtem um bom decote, você e a parceira, sendo o dela ou não.

    E como me visto como Rufus o Lenhador, mantenho a barba do Rufus, se pudesse moraria no mato do Rufus, mas perto do comércio, não sou de policiar o que ninguém veste, mas curto policiar o que despem.

  2. Eu vivi isso!!! Estava apaixonada pela pessoa, até o dia em que ele disse: Você vai sair com essa saia? Namorada minha não veste saia assim! Ops!!! Quem disse para ele que era dele? ou de alguém?! Não fui eu! Se na concepção dele era que eu era posse dele – “namorada dele”! Ops, ele perdeu imediatamente a namorada!!! O corpo é meu e tenho cada dia mais, descoberto-me, meu jeito de viver, de vestir… como me sinto bem, a altura de uma biscate, que sou!

    • Tomara, Andréa, que todas agissem como você. Homem que fica dizendo o que serve ou não é que não serve para nós. Tão simples!
      Obrigada pela visita, pelo comentário e pela história compartilhada. Volte sempre que essa casa é nossa e está a nossa altura. Rá!!!
      Beijo! 🙂

      • é nessa hora que o quisifodismo prega: Homem que presta atenção na roupa que a mulher veste pelo comprimento ou quer comprar o modelito, ou não quer que a moça tire os holofotes de sua performance ou tem nanopauzismo ou tudo isso junto e mais é um tremendo babaca.

        A única coisa que eu confesso que faço é tipo dar um toque sobre o “onde e a roupa”, ou seja, tem canto que saia pega, tem canto que decote demais é aborrecimento certo pros dois. Mas como como evito em geral esses cantos nunca me aborreci ou aborreci outrem. Já fui em Bloco com a digníssima, quando havia, de calça jenas ou de cinta liga e meia arrastão, etc e tal, numa nice.

  3. Me lembrei de Seinfeld, sobre moda e sexo. Algo sobre os homens estarem sempre buscando o que está escondido e que, por isso, a moda funciona para eles. Todo ano as mulheres cobrem uma coisa e descobrem outra, o que nos deixa desorientados: “Acho que os peitos estão ali… não, não, estão lá!”

  4. Pingback: Sexta-Feira 13, dia oficial da Biscate |

  5. Pingback: Quiz Biscate |

  6. Pingback: Inventário de uma alma rebelde, de bisca |

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s