Lei da Oferta e da Procura, Modelo Biscate

Muitas vezes escuto (ou leio, a forma de escuta virtual) as bicateamigas dizendo: mas os homens não querem nada sério com mulher que bebe/fuma/ fala-alto/não-ri, gargalha/viaja-sozinha/trepa-no-primeiro-encontro/etc; mas os homens não respeitam as biscates, os homens isso, os homens aquilo. Bom, aí eu penso:

1. é bom a gente rever rapidinho o conceito de “relacionamento sério”,

2. “os homens” é gente demais; as generalizações nos cegam, ou seja, vendo a floresta, perdemos a árvore, e

3. o homem que acha que não sirvo pra ele é que não serve pra mim.

Conversando um pouquinho sobre isso:

Ponto 01:

eu acho que a expectativa de como deve ser um relacionamento é uma espécie de Medusa – faz a galera virar pedra. Porque parece que a gente passa a usar o jargão sem refletir. O que é um relacionamento sério? Corri ao dicionário:

sé.rio: adj (lat seriu) 1 De disposição, aparência ou maneiras graves. 2 Que não se mostra alegre. 3 Que não é leviano ou frívolo. 4 Que é honesto, digno de confiança em todas as suas coisas e negócios. 5 Honesto, de confiança. 6 Que se aplica firmemente a um assunto ou o trata com toda a circunspeção, sensatez e boa-fé. 7 Positivo, real, sincero. 8 Que denota seriedade, circunspeção, gravidade. 9 Que convém às pessoas sérias. 10 Que afeta seriedade. 11 Diz-se de conseqüências que podem ser consideráveis; importante. 12 Que dá motivos para apreensões; crítico, grave

Bom, os itens 01, 02, 06, 08, 09, 10 e 12 parecem referir-se a um relacionamento do qual o bom humor e o riso estão banidos. Quem quer um relacionamento de aparência grave, circunspecto e grave? Quem quer um vínculo que não permite alegria? Quem quer um chamego que dá motivos para apreensões? Não me parece que seja da ausência desse tipo de situação que as biscatesamigas estão sentindo falta…

Já os itens 04, 05 e 07 merecem um olhar mais demorado. Afinal, transparência, honestidade me parecem coisas bem vindas. Entretanto, coloca-se o problema, não são estes itens completamente expurgados ou banidos relações consideradas “não-sérias” nos depoimentos. É bem honesto o cara ou a biscate falarem: estou querendo uma noite de sexo gostoso sem obrigações sequer de troca de telefone no dia seguinte ou: bora lá, uma coisa de cada vez, estou saindo de um relacionamento e não quero me precipitar. Sincero, honesto, de confiança… check! Então, o problema também não é esse. Ficam os itens 03 e 12, que, parecem-me, referem-se a tempo. E acho que esse é o X da questão. Estamos bem acostumados a avaliar vínculo pelo relógio: mais tempo, mais importância, mais seriedade. Julgamos que alguém não nos “leva a sério” porque não quer passar zils anos conosco, plantando árvores, escrevendo livros e fazendo filhos – ou seja: reproduzindo o padrão heteronormativoclassemédia. Cavando o buraco mais um pouquinho (porque o buraco é sempre mais em baixo): as amigasbiscates estão reclamando, justamente, de não serem vistas como padronizáveis, domesticáveis, enquadráveis. NÃO estou aqui legislando em prol dos relacionamentos voláteis ou afirmando que todo relacionamento estável, monogâmico, hetero é enquadrado e enquadrante. Estou apenas devaneando sobre o quanto as expectativas externas pautam as nossas demandas e o quanto procurarmos um modelo ideal de relacionamento nos afasta das gostosas opções de vínculos concretos.

Ponto 02:

O segundo devaneio refere-se ao plural que parece recorrente nas lamentações: “os homens”. Eu sei que não podemos abrir mão dos coletivos para a política, a argumentação científica e até pra aprender gramática. Mas para relacionamentos interpessoais e comportamento, tentar focar em cada sujeito sempre me parece a melhor opção. Os homens é gente demais. É uma categoria abstrata que não abarca aquele cara legal com quem namoramos com 17 anos que respirava fundo, mas aceitava na boa quando dizíamos que tínhamos 3 namorados. “Os homens” é um plural desconfortável, como uma roupa que costuramos malfeita: aperta em baixo do suvaco e fica folgado dos lados. A floresta, digo, a sociedade é machista, crescemos, homens e mulheres, aprendendo uma série de chavões, inclusive este: homem é tudo igual. Estes chavões tem clara função de manter o status quo, de fechar nossos olhos pra cada árvores, digo, pessoa, que pode e será diferente do modelo, que terá peculiaridades, possiblidades, variações. Todas as vezes que a biscateamiga diz “os homens” faz o mesmo que as pessoas que dizem santas X putas, abrem uma caixa e colocam todo mundo dentro, sem respeito nem consideração pela diversidade.

Ponto 03:

E uma terceira consideração: Igualmente equivocado, eu acho, é tratar de forma condescendente: tadinhos, os homens… afinal, se é pra afirmar a diversidade não se deve esquecer que, neste conjunto, estão, claro, os misóginos, os conservadores, os reprimidos, os, os, os…tantos sub-grupos que só me lembram isso – classificar é uma perda de tempo. Estão todos estes que, sabemos, possuem uma lista mental cuja fôrma não me cabe (não cabe uma biscate). Eu não sirvo pra ele. E daí? Porque isso deveria me preocupar? Ele não serve pra mim, isso sim, importa. A lista que eu tenho (quem nunca?) não inclui: machismo, homofobia, racismo, deixar a unha do dedo mindinho crescer pra limpar o ouvido, andar cinco dias na semana de calça xadrez e por aí vai. Eu não preciso me moldar ao gosto de todos os homens porque, oi?, os homens não tem um gosto único, comum, partilhado. Eles não “preferem as louras”, porque eles é um grupo que não existe. Eu não preciso agradar a todos, mas àquele ou àqueles que escolhi (a bem da verdade, não precisaria agradar nenhum, mas me agrada agradar a quem me agrada). Porque uma biscate deveria se preocupar e lamentar (individualmente, gente, enquanto participante da sociedade, claro, tem que se incomodar e lutar e fazer barulho e tudo o mais) que certos homens que não gostam de mulher-que-bebe-e-trepa-e-ri-alto não gostam dela? Elas gostariam de estar com uma pessoa que tivesse esse tipo de critério? Eu não. Não lamento – individualmente – nenhum dos homens cujo modelo não me cabe. Porque eles não tem lugar em mim (em nenhuma das minhas incríveis e apaixonantes brechas). É assim: escolhendo ser feliz, escandalosamente feliz, fica mais fácil saber e dizer, que nem o Roberto (e a Marisa): você não serve pra mim.

Então, amiga biscate, antes de lamentar os que não estão preparados pra gozar o que uma biscate tem a oferecer, vamos nos dedicar a ver as árvores da floresta, afinal um pé de pau de cada vez (ou dois, se for pra armar a rede) já faz sombra o bastante, é só encostar do lado certo….

Sobre Borboletas nos Olhos

É melhor morrer de vodka do que morrer de tédio, disse Maiakovski. Brindo a isso enquanto acontecem-me coisas surreais. Segue o meu perfil quando me vejo assim: cara a cara comigo mesmo. Ou seja, meio de lado. Um mosaico com rachaduras evidentes. Nostálgica, mas disfarço com o riso fácil. Leio de tudo e com desespero. Escrevo sem vírgulas, pontos ou educação. Dou um boi pra não entrar em uma briga, o resto já se sabe. Considero importantíssimo saber rir de mim mesma. Nem que seja pra me juntar ao grupo. Certa da solidão, fui me acostumando a ser boa companhia. Às vezes faço de conta que sou completa, geralmente com uma taça na mão. Bebo cerveja, bebo vinho e, depois das músicas italianas, bebo sonhos. Holanda, por parte de mãe e de Chico. John Wayne, por parte de pai. Borboleta e Graúna por escolha e história. Tenho uma sacola de viagem permanente no meu juízo e a alma, de tão cigana, não para em palavra nenhuma. Gostaria de escolher meus defeitos, mas não dando certo isso, continuo teimosa. Não sei usar a nova regra ortográfica. Nem a velha, talvez. Amo desvairadamente. E tento comer devagar. Sei lá, pra compensar, talvez. Tem gente que tem a cabeça no mundo da lua. Eu não. Quando vou lá, vou toda. Sou questionadora, mas aceito qualquer resposta. Aspecto físico? Língua afiada e olhos cor de saudade. Gosto de fazer o que eu gosto. No mais, preguiçosa. Sabia o que é culpa, mas esqueci. Nada mais a dizer, prefiro andar de mãos dadas. E dormir acompanhada. Mas, bom, bom mesmo é sal, se você já leu Verissimo.
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57 respostas para Lei da Oferta e da Procura, Modelo Biscate

  1. ftiagocosta disse:

    Luciana, resta apenas assinar em baixo! A minha última relação (na verdade, o fim dela) era marcada exatamente por esse tipo de lamentação. Sua frase “Escolhendo ser feliz, escandalosamente feliz, fica mais fácil saber e dizer, que nem o Roberto (e a Marisa): você não serve pra mim” resume toda a obra! Parabéns e belo texto!

  2. Nicolau disse:

    Muito bom, como sempre. De minha parte, sempre gostei de biscate. Sobre os relacionamentos e as amarras, concordo totalmente. Tenho grande, enorme tendência a comprar essas caixinhas e entrar dentro. Fui me adaptando e cheguei à conclusão de que mais vale construir sua própria caixinha: vale tudo que estiver previamente combinado. Dá mais trabalho, mas funciona melhor.

  3. Adoro mulher que trepa logo e ri alto…

  4. Me remete ao artigo que li e gostei: http://papodehomem.com.br/mulher-que-da-na-primeira-noite-essa-e-pra-casar/

    Eu acho que dá para fazer alguma generalização, mas teria que estratificar um pouquinho mais… tipo, dá para observar que em determinados ambientes existem ‘valores’ mais ou menos parecidos…isto não quer dizer que todos os homens são iguais ou que todos os homens de determinado ambiente são iguais. Mas fácil, fácil eu generalizaria que o brasileiro é mais machista que o europeu, por exemplo… Então, estabelecendo o contorno, penso que é possível fazer algumas generalizações…

    • Luciana disse:

      Sim, baby, eu concordo que é possível, em termos abstratos, traçar similaridades de valores e comportamentos. Mas, permita-me pensar que, no cotidiano, no concreto das relações, é muito mais divertido abrir mão das classificações e permitir-se descobrir o outro na sua diversidade e encanto.

  5. Rita disse:

    Bem desenhadinho. Parabéns!

    Bj
    Rita

  6. Marília Moscou disse:

    Incrível. ❤

  7. Letícia Leal Lima disse:

    Otimo texto!

  8. Ótimo texto, parabéns! Salvei como favorito para não esquecer de, mais tarde, poder escrever sobre ele. 😉

  9. Lucas CF disse:

    Incrível Luciana. Muito bom mesmo. Acho que suas biscateamigas não são lá tão biscates se estão mais preocupadas em agradar um possível marido do que em agradar elas mesmas. Sobre essa lista mental que alguns homens têm cuja fôrma não cabem biscates… Perfeito. Acho que as “mulheres comuns”, que abdicam de ter personalidades próprias e vivem sufocadas por aparências, além de estarem sempre preocupadas com estereótipos e julgamentos externos, têm formas também comuns. Elas são círculos, quadrados, retângulos, triângulos. Mas a mulher que é mais autêntica, que não se deixa levar pelo que a sociedade espera dela, a biscate, tem formatos que nunca se repetem. Ela pode ser um polígono de infinitos lados (bem mais lados do que as “mulheres comuns”) e é um polígono côncavo. Algumas vezes nem são polígonos. Algumas vezes nem todos os seus lados são retas. De qualquer forma, seja como for a forma de uma biscate (ela nunca se repete), ela não se encaixa em qualquer fôrma. Quanto a parte de não querer nada sério com “mulher que bebe/fuma/ fala-alto/não-ri, gargalha/viaja-sozinha/trepa-no-primeiro-encontro/etc; mas os homens não respeitam as biscates, os homens isso, os homens aquilo.”. Eu não sei se gostaria de namorar alguém que fuma não. Não suporto ficar muito tempo perto do cheiro de cigarro, então sei lá..

    • Luciana disse:

      Lucas, como diria o Jack, amigão, vamos por partes no seu intenso comentário. Sabe, a biscatagem é um estado de espírito, não uma estrutura de personalidade (quase sempre) então é comum – e até esperado – que a gente pise no tomate. Além disso, procurar agradar o Outro me parece um bom caminho num relacionamento, desde que a gente não se dilua no processo. Uma biscate também ama e amar é desviar a libido de nós pro outro. O que eu proponho pensar é que tipo de amor precisa ser esse. A segunda coisa, é que eu tenho cá pra mim, que não existem pessoas/mulheres comuns. Se você não se importa com jabá, acho que ia render um bom papo você dar uma passadinha aqui: http://borboletasnosolhos.blogspot.com/2011/10/mais-autonomia-as-tuas-esperancas.html.
      Quanto ao mais importante, a mulher que fuma e talz, eu acho que cada um de nós tem suas idiossincrasias e preferências sexuais e afetivas. Eu penso que não precisamos agradar a todos e nem todos precisam (nem devem nos agradar). Por outro lado, sugiro não fazer das preferências, limites, às vezes o vento sopra ao contrário 😉

  10. Mari Andrade disse:

    Cheguei aqui hoje e já to adicta!

    Sobre o texto só tenho a dizer que depois de muito procurar (e lamentar, afff!!!) encontrei o biscateiro da minha vida!srsrsrsrsrsrsr

    Bjussss

  11. Iara disse:

    Lu, você é sempre, sempre, sempre incrível. Mas acho que rolou uma superação. Faz tempo que não vejo algo tão lindo e didático ao mesmo tempo. TIAMO!

  12. aysha disse:

    eu sou biscate (rrss. descobri agora) e adoraria um namorado que nao procurasse saber das minhas vidas (financeira, academica, amrosa), me ligasse só quando fosse pra sair, nao falasse sou a unica na vida dele (nao me importa ser a unica, quero só ser importante) que nao fizesse cena de ciumes (eu nao gosto nem faço) e que fosse acima de tuuudoo issso um otimo amante na cama e um grande e só amigo fora dela!

    • Luciana disse:

      Aysha, acho que os primeiros passos pra permitir-se encontrar alguém que participa da nossa felicidade é 1) a gente saber o que quer, 2) ser flexível nos critérios – lista demais me cheira a príncipe encantado 😉

      Beijos, vamos papeando

  13. Mel ALves disse:

    Espetacular… revelador e ao mesmo tempo, inspirador… eu estou em processo de enxergar (e aceitar) que nem todos os caras são sacanas, mas vou lhe dizer, o comportamento de várias mulheres infelizmente interfere, pois está muito fácil (e sabemos que além da quantidade de mulheres ser maior, ainda há a concorrência masculina, que diga-se de passagem, não é pequena nowadays) ficar com uma por dia e não levar nada ou ninguem “à sério”… mas enfim, concluindo, tenho mesmo é que bater no peito e aceitar que EU resolvi desde pequena ser independente, maravilhosa, viajada, estudada e não vou sucumbir à qualquer inseguro que não tenha coragem de assumir e aceitar uma mulher de verdade, de atitude, que não aceita ser subjugada e sai andando mesmo, se necessário for… sempre que quiser vou rir alto, fumar, beber, viajar e falar o que realmente penso, sem ter que fazer esses famigerados joguinhos que, na verdade, apenas servem para mascarar quem as pessoas realmente são… beijoka e considere-me uma nova fã! Mel

    • Mel, bem vinda ao clube da biscatagi. Olha, eu tenho cá pra mim que quando abolirmos a noção de culpa e fracasso nos relacionamentos a coisa anda num ritmo mais prazeroso. O post justamente pretende discutir o que é este “relacionamento sério”, eu mesma fico com algumas pessoas uma vez só e levo muito a sério (no sentido da honestidade, respeito, consideração) e muito não a sério (no sentido de ser divertido e não abdicar do riso). E, cá entre nós, joguinhos só tem graça quando os dois sabem as regras, né? 😉

      Beijo, que bom que gostou.

  14. Beto Mafra disse:

    Essa brabuleta me encanta.
    Outro dia falávamos que o relacionamento bom é o que ESTÁ SENDO bom.
    Deixemos de lado todas as expectativas ou daremos com os burros n’água. As fórmulas e manuais começam a existir em função da construção do contrato a dois(nem sei mais se era exatamente isto mas a elocubração durante e depois me levou aí), isto chama-se relacionamento. Metas e planos futuros advém da continuidade desse SER BOM ENQUANTO.
    Ou não.
    Uma das “anedotas que se encaixam” é a do Homem perfeito à procura da Mulher perfeita para construírem o relacionamento perfeito e a família perfeita.
    Quando se encontram, a mulher lhe comunica que ele não era perfeito aos olhos dela.
    É assim.

    E essa Marisa deu o tom biscate ao esporro RC. Ganhou muito em qualidade e conteúdo.
    Amore tuo, biscate magistra.

    • E comentário que termina com frase em latim? a-do-ro. Abrir mão das expectativas dói, é um pouco abrir mão de nós mesmos, da imagem que construímos sobre nós e sobre, consequentemente, os relacionamentos que este “eu” deveria manter. Mas o gozo advindo da possibilidade…Boa demais essa interlocução.

  15. Andrea disse:

    Olha, eu juro por tudo que voce quiser que eu tento explicar isso aos meus homens, mas ta dificil achar um que entenda! Acho que seu texto pode me ajudar a explicar como penso, não por que devo satisfação, mas acho que evitaria muitos problemas (do tipo, voce ligar alguns dias depois pra tomar uma cerva, e o cara pensa que voce ta pedindo ele em casamento rsrsr). To achando que vo imprimi e andar com o texto no bolso, pelo menos vou economizar saliva rsrs! Ta to enchendo apenas para dizer que adorei e me define muito bem! So biscate com muito mais orgulho agora rsrsrsrsrs

    • Andrea, você sabe a chateação que é essa “contra-expectativa” (na falta de termo melhor)dos homens. Uma tal prevenção que põe um travo nos momentos que poderiam ser bem mais agradáveis se eles não ficassem tão tensos sobre o que “nós” vamos pedir deles, affe.
      Adorei seu comentário. Volte sempre.

      PS. usamos os homens como uma licença poética, né? no caso, os homens com quem já estivemos nesse xadrez.

  16. renatalima91 disse:

    Sem comentários o tanto que amei este texto, Lu.
    Eu não preciso agradar a todos, mas àquele ou àqueles que escolhi (a bem da verdade, não precisaria agradar nenhum, mas me agrada agradar a quem me agrada).
    Vou guardar para a vida, porque essa sou eu.
    As vezes, tento agradar quem me desagrada, caio em tentação, sabe?
    Mas cada dia aprendo mais a não me algemar a quem ou a o que não retribui o que tenho a oferecer.
    E a sofrer menos ou nada por isso.
    Post lindo, já está nos favoritos forever.
    Não vou falar mais ou me revelo demais.
    Minha boca grande será a minha causa mortis (não que eu me importe)

    • Como responder um comentário que assim, se diz me dizendo? Eu estou sempre no cominho, baby. Não cheguei, mas nem pretendo. O movimento é sexy, como já dizia a música mal-falada de antes do agora. Você é que já está nos meus favoritos 😉

      E viva nossa boca grande e nosso querer ainda maior…

  17. atorresmkt disse:

    Quem ama comenta,mas nao tenho muito o que dizer, só que adorei!
    Bjs
    Dri

  18. Gabriel disse:

    Bem legal o texto e o blog!

  19. Ludmila Queiroz disse:

    Olá, Eu descobri o blog hoje!!!
    Amei, Amei mesmo o textos que li. Parabéns.
    Acho que posso me considerar uma biscate. rs
    Bjus,
    Ludmila

    • Luciana disse:

      Ludmila, baby, seja bem vinda ao clube, como visitante ou participante com carteirinha…o importante é se divertir, pensar e se querer bem. Volta sempre que quiser.
      Bjus

  20. Jardel disse:

    Nossa q medo, vc jogou minha cara no chão! Mas tipo está redondamente certa, agora não é meio radical não agradar quem não agradamos! Estou ficando confuso. escolher um homem é muito difícil, eu sou uma pessoa muito insatisfeita com meus parceiros! E uma, como vc chama, amiga biscate rsrsrsr adorei o termo! (só não sei o contexto li apenas esse artigo) Mas muito legal sua forma de pensar. Eu quero, queria um relacionamento sério, pode ser ao pé da letra. Bem é isso, acho q não falei nada, mas tudo bem tinha muito tempo q eu não lia nada interessante parecido….

    • Jardel,

      bem vindo ao clube, dá uma passeada nos posts, quem sabe voc~e vai conhecendo e gostando? É tudo complexo mesmo, escrever é só uma tentativa de dar nome a tudo isso que faz confusão no nosso sentir e no nosso pensar. Espero ser radical no que se refere a ir à raiz das questões, mas não extremista. E um relacionamento é enquanto está sendo (acho eu), ou seja, é o que fazemos dele.

      Bjs, volte quando quiser

  21. Rapaz, ô vei, man, broder, PIRIGA, sua linda!
    eu não tenho senão interjeições para comentar!
    me arrupiei. me li. me descabeli.

    bom, acho que já ficou claro que eu estou me derramando sobre seu texto como humores vertidos do céu, sem piedade e pá. Tipo Urano quando causou Afrodite a nascer das ondas. Mas podia ser Afrodite causando uma coisa outra a nascer das ondas, talvez, ou dos degelos (Freyisticamente, talvez). SEI LÁ!

    O caso é: eu, a sempre-pronta-a-dizer que existem pelo menos dois jeitos (mas geralmente isso vai a infinito) de se ‘fazer’ (ver, entender, falar, meter, desenrolar e todos os verbos pensáveis e os outros além destes) qualquer coisa, muita vez me pego esperando que as coisas aconteçam de jeitos conhecidos, ou aguardando sensações que disseram que vinham mas não dão sinal de ter saído de casa. Essa mui discordiana eu muita vez se pega boicotando possibilidades, e outras tantas vezes se remoendo pelo que não é possível de ser, sempre ao som da Valsa da Eva, de que há algo em mim tão tão tão espúrio que deve ser culpa minha todo o mal que vem à humanidade. É claro que a mais próxima manifestação de ‘humanidade’ que há sou eu mesma, então na minha síndrome de Eva passo bastantes tempos me culpando infinita e impiedosamente até acordar com um pontapé na têmpora direita.

    Obrigada pelo pontapé, piriga. Baby, I was born this way.

    (ooh there ain’t no worry!)

    xero

    • que comentário fofo, intenso e criativo \o/

      Concordo com você, mesmo compreendendo as infinitas possibilidades, muitas vezes nos vemos reproduzindo esquemas…mas, creio, percebermos esta dinãmica já é uma mão na roda, né?

  22. Ana Paula disse:

    “O homem que acha que não sirvo pra ele é que não serve pra mim”.
    Esse vai ser meu mantra …
    D+ o texto!
    Amo Marisa e tenho uma quedinha por musica brega 😉

  23. Amandita disse:

    Todas abraça a Lu agora porque ela mandou bem demais. 😀
    Pode fazer coraçãozinho com o teclado ou é brega?? ❤ ❤ ❤

    😉

  24. Vinicius disse:

    Eu só não me oporia à falar dos homens como um todo coletivo. Mas também vejo que se tornou até forma reprodutora de discurso. Então, creio que só deve haver o cuidado com a palavra. Digo, se hoje a palavra é racionalizada (se ser homem é ter pênis), creio que a expressão “os homens” vai ter o valor devido fora dos meios onde a significação é retirada da palavra. Tipo aqui.

    E eu estava estudando Adler, tentando relacionar ele com o Bauman, e cairia exatamente no relacionamento rápido e etc e etc, só como expressão da vida na sociedade liquida (e dela como causa dos complexos e etc etc etc da maneira que são). Bom, eu vi que Adler não é muito respeitado, talvez a cagada seja levá-lo à sério demais, mas não me arrisco a afirmar nada.

    Indo direto ao ponto. É óbvio que eu não sou contra nenhum tipo de relacionamento diferente do consagrado (Mono, duradouro, hierarquico e etc – diga-se de passagem, eu ainda não o engulo 100%), entretanto, o boom de relacionamento ultra temporários e extremamente superficiais sempre me fez pensar que isso não seria uma transgressão ao tipo antigo, mas só uma adequação à vida prática. Ou seja, na maioria das vezes, nada de muito significativo, nada de muito “subversivo”.

    • Luciana disse:

      Vinícius, eu também me pergunto muito sobre os tipos de relação fortuitas, onde há estrita objetificação (consumo?) do outro. As relações interpessoais baseadas na satisfação rápida e na impossibilidade de frustrações, a adolescência prolongada, os vinculos espelhados nas regras de consumo, tudo isso me faz refletir (e me apavora um tanto). Por outro lado, procuro evitar generalizar as análises (tô na guerra contra caixinhas). Não era objetivo discutir exatamente a subversão ou não dos tipos de vínculos, mas questionar a legitimidade de se construir relações baseadas menos no que as relações são e mais em modelos e expectativas sobre como elas devem ser (é claro que sei que não há como viver o absoluto presente, que o tempo é categoria construída em processo).

  25. Doth disse:

    Maravilhoso! É o que tenho a dizer desse post como biscate assumida que acompanha o club desde o início.
    Já não me sinto uma estranha no ninho e percebo outras iguais a mim.
    Obrigada a vocês por proporcionarem tão deliciosa leitura!!!
    Beijos grandes de biscate super fã!!

    • Luciana disse:

      Doth, obrigada pelas palavras gentis. É uma alegria saber que existem leitoras (quiçá futuras colaboradoras) que apreciam nosso espaço. Bem vinda ao clube!

  26. Pingback: Sexta-Feira 13, dia oficial da Biscate |

  27. Pingback: Quiz Biscate |

  28. Cássia disse:

    Lindo, gente….

  29. Aline (Nanica) disse:

    Querida Lu,

    Só você mesmo pra pôr em xeque idéias totalitárias sobre idéias totalitárias! Você me enche de orgulho! Amo você!

  30. Gilson disse:

    Eu sou suspeito. Eu prefiro as Borboletas. E assino embaixo o texto, mas seria nepotismo.

  31. Pingback: Buraco da Fechadura |

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