Como “nasce” uma biscate?

Quem começar a ler este texto, provavelmente, espera que eu dê (dar, verbo tão associado às biscates) um passo a passo de como “iniciar-se” no mundo da biscatagem…

Mas para isso, não existe iniciação. O correto seja, talvez, uma inquietação. Uma série de perguntas que nunca foram completamente respondidas. Uma necessidade de romper com verdades que acostumaram-se a ser (e sempre vão querer ser) absolutas. A biscate é inquieta. Ela busca por respostas. Rompe com as verdades absolutas. E assim, ela segue. Viva, como ela só. Encarando de frente as consequências de suas escolhas.

Só por ser assim, aos olhos de quem realmente mantém o status quo , ela será eternamente biscate. Ou  puta. Ou vadia. E só aos olhos dessas pessoas ser vadia, puta ou biscate é um problema. Daquelas incorrigíveis, que ousam acreditar que podem sim ser donas delas mesmas.  Que podem lutar por várias causas. Daquelas que andam por aí, com shortinhos curtinhos, chocando o mundo com a sua liberdade. Toda mulher livre é disponível. É inevitavelmente, biscate.

Biscate, eu? Sim, eu. Poderia ser você. Sua amiga. A vizinha bonita da casa ao lado… Menos a sua mãe, porque mãe é santa. É sagrada. Mexer com mãe é muita sacanagem. E sacanagem é coisa de biscate!!!

Biscatagem não escolhe cor, religião ou classe social. Ela escolhe mulheres – ou seriam as mulheres que a escolhem? Ela é tão plural quanto nós mesmas somos e muitas vezes, reprimimos. Só para não parecermos… Biscates!

Essas biscates são como ervas, daquelas que crescem sobre o concreto. Matam “mil leões por dia” para seguirem seus caminhos em paz. E como fazem barulho! São insuportáveis aos olhos pesados da sociedade. Elas são um exemplo de como uma mulher não deve ser. De como uma mulher direita não deve ser. Mulher direita não deveria gritar. Mulher direita deveria viver em silêncio e dizer sempre sim. Mulher direita, quando lembrasse de rir de si mesma e de sua desgraça… deveria ser sempre bem baixinho, tá? Mulher direita deveria esperar sentada pelo seu provedor. Deveria aprender, com muito esmero, que só é digna se agradar a todos. Sim, a TODOS. Porque a todas não seria possível, já que, nessa lógica, a mulher é invejosa, falsa e nunca gosta de uma “concorrente”.

E mesmo depois de tudo isso, digo com veemência que prefiro ser biscate. Foi sendo biscate que aprendi que sou dona do meu destino. E, ai de quem tentar me calar.


Sobre Cláudia Gavenas

Paulistana, 26. Designer, gateira, feminista e musical. Meio perdida na vida, mas não tem certeza se realmente quer se encontrar...
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5 respostas para Como “nasce” uma biscate?

  1. Que bacana o texto da Cláudia!!!

    “E mesmo depois de tudo isso, digo com veemência que prefiro ser biscate. Foi sendo biscate que aprendi que sou dona do meu destino. E, ai de quem tentar me calar.” Filosofia da biscatagem!

  2. Cláudia disse:

    Hahahuhua, total, Talita! Obrigada pelo elogio e espero te ver sempre por aqui ;).

  3. Sheila Camargo disse:

    Um hino à liberdade (Viva a biscatagem) hauhaua /\o/

  4. Pingback: Sexta-Feira 13, dia oficial da Biscate |

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