Nunca Houve uma Biscate como Gilda

Por essa você não esperava, não é? Biscatagem também é cultura. Gilda é um clássico do cinema. E uma aula de biscatagem. Aquela jogada de cabelo, na primeira cena em que Rita e Glen Ford se (re) encontram é pra ser treinada na frente do espelho, vezes e vezes. Aliás, a química entre Rita e Glen era tão intensa que eles trabalharam juntos em O Protegido de Papai (1940), Show Business at War (1943), Os Amores de Carmen (1948), Uma Viúva em Trinidad (1952), Dinheiro é a Armadilha (1965) e That’s Action (1977).

Gilda é um filme noir de 1946, dirigido por Charles Vidor e tornou-se referência em vários âmbitos, inclusive pautando a vida pessoal da protagonista. Lamentava-se Rita que o problema dos seus relacionamentos é que os homens deitavam-se com Gilda e acordavam com ela. Mulheres, atrizes, estrelas tão belas como Rita? Claro, muitas. Mas nenhuma entrou para o imaginário como referência do feminino e da livre sensualidade. Casou-se com um príncipe. Aliás, casou cinco vezes. Gilda (ou Rita?) é um brilho. O riso é fácil, o olhar é intenso e o corpo é livre. Poderosa, é isso. Os diálogos são ótimos, insinuantes, com tantos sentidos quanto os que você queira conotar. A cena mais famosa (e sexy) é o strip tease. Uma aula. Ela consegue insinuar tudo tirando uma luva. Uma única luva! E a música é uma alegria. Deliciosa, leve, provocante. Nunca houve uma biscate como Gilda.

Sobre Borboletas nos Olhos

É melhor morrer de vodka do que morrer de tédio, disse Maiakovski. Brindo a isso enquanto acontecem-me coisas surreais. Segue o meu perfil quando me vejo assim: cara a cara comigo mesmo. Ou seja, meio de lado. Um mosaico com rachaduras evidentes. Nostálgica, mas disfarço com o riso fácil. Leio de tudo e com desespero. Escrevo sem vírgulas, pontos ou educação. Dou um boi pra não entrar em uma briga, o resto já se sabe. Considero importantíssimo saber rir de mim mesma. Nem que seja pra me juntar ao grupo. Certa da solidão, fui me acostumando a ser boa companhia. Às vezes faço de conta que sou completa, geralmente com uma taça na mão. Bebo cerveja, bebo vinho e, depois das músicas italianas, bebo sonhos. Holanda, por parte de mãe e de Chico. John Wayne, por parte de pai. Borboleta e Graúna por escolha e história. Tenho uma sacola de viagem permanente no meu juízo e a alma, de tão cigana, não para em palavra nenhuma. Gostaria de escolher meus defeitos, mas não dando certo isso, continuo teimosa. Não sei usar a nova regra ortográfica. Nem a velha, talvez. Amo desvairadamente. E tento comer devagar. Sei lá, pra compensar, talvez. Tem gente que tem a cabeça no mundo da lua. Eu não. Quando vou lá, vou toda. Sou questionadora, mas aceito qualquer resposta. Aspecto físico? Língua afiada e olhos cor de saudade. Gosto de fazer o que eu gosto. No mais, preguiçosa. Sabia o que é culpa, mas esqueci. Nada mais a dizer, prefiro andar de mãos dadas. E dormir acompanhada. Mas, bom, bom mesmo é sal, se você já leu Verissimo.
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14 respostas para Nunca Houve uma Biscate como Gilda

  1. Renata disse:

    Como a gente tava comentando no FB, existem muitas Biscates no cinema Noir, mas só Gilda sobrevive.

  2. Gilda foi deusa! Fato!

  3. Deixa eu confessar um pecado, Lu: nunca vi Gilda. (pedras sendo arremessadas)

    • querido, dizem as “boas” línguas que o filme é superestimado, que não tem roteiro, que isso e que aquilo. Garanto: são línguas que não sabem apreciar o sabor da biscatagem. É delicioso, nem que seja apenas acompanhar a sensualidade e sem-vergonhice da Rita.

  4. Amanditas disse:

    Tava aqui pensando no seu post e fiquei com uma dúvida: a Gilda é um tipo de biscate que costuma ter boa aceitação. Né? Virou diva, ícone, sei lá, uma coisa clássica, a ser admirada por cinéfilos, pessoas cultas. O que, via de regra, não ocorre com as biscates da vida real. É isso mesmo ou sou eu que to com a impressão errada sobre a aceitação da Gilda? Como é que Hollywood opera esse milagre da aceitação das biscates?? Abraços

    • Concordo contigo, Amanda. Tem um tom sofisticado na biscatagem da Gilda, assim como acho cheio de glamour ser feminista em Paris (brincadeirinha desabafo), ser feminista e lutar contra a violência sexista nos países latinos é outra história. Ser biscate e ser taxada pejorativamente no Brasil, como são as funkeiras, “maria-chuteiras” e etc, é bem diferente desse clima noir do cinema dos anos 40. E justamente por isso nos reunimos nesse clube do “orgulho biscate”, para tentar virar esse jogo brincando, biscateando e sambando na cara da hipocrisia. ;-P

    • Luciana disse:

      Baby, marromeno. Gilda é um dos raros filmes noir em que a mulher sedutora não é banida, morta ou presa. Então, não é o tipo que costuma ter aceitação não, o tipo era bem repudiado. Esse filme saiu um tiquinho do padrão (mas ela ainda leva uma bela duma bofetada porque está bêbada e seduzindo, né?). Quanto ao fato de ser diva, bom, temos a Marilyn, a Leila Diniz, admiradas por uns, escorraçadas e denegridas por outros (geralmente desejadas por todos, rs).

      De maneira geral Hollywood trabalha bem o estereótipo dona de casa X puta, e a biscate só se sai bem redimida pelo amor de um homem (geralmente). Mas, eventualmente, aparece uma ou outra exceção. Surpreendentemente os filmes da década de 30 são bem interessantes na construção de papéis que – longe da idéia feminista atual, claro – apresentam mulheres mais autônomas e independentes.

  5. renatalima91 disse:

    Gilda e a cena da luva é o must.
    Me lembra outra cena, com uma luva, sendo desabotoada, e um pulso, sendo suavemente beijado, que faz o corpo estremecer;
    Daniel Day Lewis e Michele Pfeifer.
    A Época da Inocência.
    A Condessa é uma biscate.
    Outra biscate clássica.
    Fica a dica.
    (nem que seja pra mim mesma!)
    Amei!

  6. Pingback: Biscate Absoluta |

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